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Companhia portuguesa JGM exibe “Nós matámos o Cão tinhoso” no FESTECA

A peça, que será apresentada hoje, às 19 horas, é inspirada no livro homónimo do autor moçambicano Luís Bernardo Honwana. Aborda a situação colonial em Moçambique. Durante a manhã será realizada uma conferência sobre teatro

POR: Antónia Gonçalo

Prossegue no Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIM’ART) a XIII edição do Festival Internacional do Cazenga (FESTECA), com a exibição da peça “Nós matámos o Cão tinhoso”, da campanhia portuguesa João Garcia Miguel (JGM). A peça, inspirada no livro homónimo do autor moçambicano Luís Bernardo Honwana, aborda a situação colonial em Moçambique. O Cão Tinhoso feio, de pele velha, nojento, ossos a chiar de fragilidade, representa assim o sistema colonial, o colonizador decadente, em vias de ser destruído e abatido.

Mas, de facto, o Cão Tinhoso é abatido numa hipótese de tiros, do mesmo modo que se pretendia que Moçambique se purificasse, se libertasse pelo fogo das armas. Para além do teatro, será ainda realizada uma conferência intitulada “Latitudes: As relações e produções teatrais Portugal –PALOP”, que terá lito caho ngolo como orador João Miguel dos Santos, director da companhia JGM. A organização do festival vai ainda prestar homenagem a João Miguel dos Santos, pelo trabalho, do impulso técnico, cooperativo e artes performantes que têm sido transmitidas aos jovens actores do ANIM’ART. Consta que a relação com o ANIM’ART e o seu trabalho influencia positivamente os jovens actores, permitindo-lhes “encarar as artes com um sentido mais criativo, proporcionando- lhes um mundo de auto-descobertas”.

Outras peças teatrais

Durante a semana foram apresentadas várias peças teatrais, como “Jimbambe: A peste da vingança” e “Mar me quer”, dos grupos Tic Tac e Girassol, de Moçambique. A primeira peça, com duração de 45 minutos, interpretada por dois actores, retrata a estória de Dona Ana, uma comerciante que, por ironia do destino, extravia o dinheiro destinado Companhia portuguesa JGM exibe “Nós matámos o Cão tinhoso” no FESTECA a adquirir a sua mercadoria. Aflita, apela para o bom senso dos vizinhos, no sentido devolverem os valores. Não obtendo resposta, roga pragas para atingir a pessoa que tem em posse os valores. Júlia de Fátima Domingos, actriz do grupo Tic Tac, referiu que o festival, para além do teatro, tem permitido a realização de conferências e encontros de intercâmbio que, segundo ela, permitem a troca de experiências entre os actores, contribuindo assim para o engrandecimento da arte.

“Temos conversado sobre aquilo que é o teatro actualmente, com os actores dos grupos estrangeiros e tem sido benéfico. São factos que nos têm ajudado a crescer e melhorar a nossa arte”, enfatizou. Por sua vez, o grupo moçambicano Girassol, pela segunda vez, levou ao palco do FESTECA “Mar me quer”, uma peça adaptada do romance do escritor moçambicano Mia Couto. A peça conta a estória de amor entre um pescador e uma senhora, onde o pescador tenta cumprir a promessa feita ao seu pai, de cuidar da sua amada. Mas, sem saber que a senhora é a amada de seu pai, tenta seduzi-la-la. O coordenador do grupo, Joaquim Matavel, realçou que o festival está a corresponder às espectativas relacionadas com a troca de experiência entre os grupos. “É uma iniciativa que deve ser enaltecida, porque não é fácil fazer teatro nos nossos países, devido à falta de apoio. Nos nossos encontros temos conversado sobre como é feito o teatro em ambos os países, assim como a interação tida entre o FITI e o FESTECA ao longo de cinco anos”, salientou. Joaquim Matavel avançou que uma das conclusões tidas nos encontros foi a de fazer o entrosamento entre os actores, especificamente na coprodução com actores angolanos e moçambicanos, plano que será abrangente aos directores.

Organização

A directora do FESTECA, Felismina Sebastião, realçou que devido a questões relacionadas com a deslocação, a companhia Letras de Rosa, Fladu FLA e Os Retratistas, do Brasil, Cabo Verde e Moçambique, respectivamente, não participarão no festival. “O programa sofreu uma ligeira alteração, tanto mais que o grupo Girassol, que havia actuado no dia de abertura do festival, voltou a apresentar-se em palco de modo a dar continuidade às exibições”, explicou. Fora desta questão, Felismina Sebastião referiu que os demais grupos têm cumprido a agenda do festival, assim como a realização das oficinas de Teatro, intercâmbio e conferências. A directora do festival realçou que o espaço Café Teatro tem permitido o intercâmbio entre os grupos. “Conseguimos constatar que alguns acordos estão a ser efectivados. Isso leva- nos a crer que o festival está a ser bem aproveitado pelos participantes”. O FESTECA decorre desde o dia 19 do corrente até 29, é promovido pela Globo Dikulu (Acção para o Desenvolvimento Juvenil), através do (ANIM’ART) com o objectivo dinamizar um certame que proporcione um espaço de intercâmbio teatral e ofereça oportunidades aos grupos e companhias de teatro de mostrarem os seus trabalhos.

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