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‘Teoricamente, todos os candidatos estão aptos a ensinar’

O director provincial da Educação de Luanda, Narciso Benedito, em entrevista a OPAÍS sobre a polémica dos candidatos que tiveram negativas, mas acabaram aptos, esclareceu que todos, teoricamente, estão capacitados a ensinar

POR: Maria Teixeira

No presente concurso público da Educação, a província de Luanda conta com 2.650 vagas para professores do ensino primário, I e II ciclos do ensino secundário. Para o preenchimento dessas vagas, alguns candidatos foram aprovados com notas muito baixas em algumas disciplinas, algo que inquieta muitos dos concorrentes. Numa turma de candidatos para o ensino secundário do II Ciclo, para professor de Química, em Cacuaco, cujo número de vagas a ser preenchida é 19, os 18 concorrentes disponíveis foram aprovados, tendo ou não nota positiva. O primeiro candidato, por exemplo, teve 0,5 como resultado final. Ainda assim foi apurado. Nesta turma, apenas três concorrentes tiveram nota positiva, mas todos aprovaram. Segundo o director provincial da Educação de Luanda, Narciso Benedito, “é necessário que fique claro que fizeram um Exame de Ingresso a candidatos com requisitos para o exercício da docência.

Ou seja, teoricamente, todos os candidatos estão aptos a ensinar”. Porém, garante o responsável, como havia poucos lugares, “os candidatos disputaram esses lugares através de um exame em que se apuram os que obtém a maior classificação, por ordem decrescente da nota”. “É isso que explica que, em alguns casos, ficaram de fora candidatos com nota positiva e, noutros cas os entraram candidatos com nota negativa”, esclareceu. Questionado se isso não prejudicaria a qualidade do ensino no país, uma vez que o futuro professor nem sequer conseguiu uma nota positiva no concurso público, respondeu que “não é este concurso que vai prejudicar a qualidade do ensino no país. A qualidade já anda prejudicada”. Para ele, “o problema da análise do fenómeno da qualidade de ensino é uma outra questão, que não pode estar directamente relacionada com o resultado do concurso”.

Candidatos com notas muito baixas não deviam ser admitidos

Para o psicólogo e docente universitário Carlinhos Zassala, esta questão de os candidatos com negativas serem apurados, deve ser analisada com cautela, porque uma prova é um instrumento de avaliação e deve ser válido, “o que significa que deve avaliar a capacidade e conhecimento de quem concorre”. Se o instrumento (a prova) é válido cientificamente, “então aqueles que tiveram notas muito baixas não deviam ser admitidos”, disse Zassala, porque “tendo nota baixa terá um rendimento muito fraco e um docente é alguém que deve ter pelo menos uma nota acima da média, ter capacidade e competência”.

O professor considera que se o instrumento não tem validade científica, então essas notas baixas ou elevadas não terão efeitos. É importante também, para o psicólogo, saber a forma como foi elaborada a prova, para garantir a sua validade ou para definir o nível de dificuldade de cada pergunta. “Infelizmente no nosso país não queremos colocar cada pessoa no seu devido lugar. Por exemplo, os que elaboram o exame de admissão devem ser, em primeiro lugar, psicólogos escolares, porque um exame de admissão deve ter um carácter pré-electivo. O resultado deve corresponder ao desempenho que se espera”, explicou. Salientou ainda que muitas vezes, as provas de admissão realizadas no nosso país, feitas nas faculdades, não têm esse carácter (pré-electivo), mas sim o carácter selectivo. “É apenas para dar a prova e depois, consoante o número de vagas, começam a admitir pessoas com zero ou menos 1. Não é este o objectivo de um exame de admissão”, garantiu. De recordar que a província de Luanda necessita, para cobrir as actuais necessidades do sector, de quatro mil e trezentos professores do ensino primário e do I e II ciclos do ensino secundário.

Candidatos com nomes em outras disciplinas

Segundo ainda constatou o jornal OPAÍS, alguns candidatos que concorreram para ocupar a vaga do curso de Cinema e TV, no município do Talatona, viram os seus nomes a ser publicados na lista de candidatos para o curso de Química, como não aptos. Isto é, na lista em que estes candidatos teriam os nomes publicados, de Cinema e TV, foram excluídos, tendo aparecido numa disciplina a qual nem sequer pensaram concorrer. É um problema que os inquieta e de que procuram esclarecimentos, pois, para eles, demonstra claramente que terá havido fraude.

 

 

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