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Chefe da Diplomacia angolana aponta desafios para entrada no BRICS

O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, disse em Joanesburgo, África do Sul, ver com “bons olhos” a pretensão de Angola de integrar o BRICS, mas advertiu que, para tal, terá de dar sinais claros de crescimento e desenvolvimento

O governante falava à imprensa a propósito da participação do Presidente da República, João Lourenço, na 10ª Cúpula do grupo dos cinco países com as principais economias emergentes do Mundo, tendo afirmado que um dos desafios a vencer é melhorar o ambiente de negócios.

“O Presidente da República, na sua alocução, disse esperar que, muito em breve o acrónimo BRICS tenha outras letras. Esperamos que a próxima seja o A. Mas sabemos que para lá chegar precisamos de fazer muito mais”, declarou, referindo-se ao BRICS.

No entender do chefe da diplomacia angolana, Angola tem grande potencial, mas para estar na “roda dos grandes” precisaria de assegurar que as suas práticas, o estilo de governação, o ambiente de negócios, a facilitação do inves
timento (…) sejam uma realidade. Integrado pelo Brasil, pela Rússia, Índia, China e África do Sul, o BRICS é um grupo importante no cenário global do G20 e um contrapeso para o G7.

Só em 2017, a sua participação na economia global foi de 23,6%. Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam que, em 2022, a quota aumente para 26,8%. Em termos populacionais, os números do grupo são mais robustos. Em 2015, o BRICS representava 41% do total da população mundial.

Todavia, há ainda desequilíbrio entre os cinco países, sendo que os dados económicos da China correspondem a quase dois terços do desempenho económico do BRICS. A África do Sul contribui com cerca de 3% do desempenho económico do grupo. João Lourenço participou pela primeira vez numa reunião de cúpula do grupo desde a sua eleição como Presidente da República, em Agosto de 2017.

Esta foi a segunda vez que Angola participou no encotro, depois de ter estado em Durban, em 2013, com o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Na África do Sul, João Lourenço estabeleceu contactos com homólogos de outros países, do BRICS e não só, tendo em vista o reforço da cooperação.

Balanço positivo

Na hora do balanço, o ministro Manuel Augusto disse ter sido uma participação “muito positiva”, ressaltando o facto de o país ter sido referenciado, pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, como um dos principais parceiros daquela potência europeia. Reiterou que, à margem da Cimeira, o Presidente da República de Angola teve encontros com os homólogos da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, além de outros Chefes de Estado de países emergentes, como o da Turquia, Recep Erdogan.

Os encontros, destacou, permitiram notar “que Angola está no mapa e na perspectiva de desenvolvimento de relações económicas dessas potências”, sublinhando que o país reafirmou a abertura para o investimento privado e para cooperação com outros Estados. Destacou o facto de o Presidente da Rússia ter apontado Angola, na Cimeira, como um dos seus principais parceiros em África e aventado a possibilidade de reforçar a parceria.

“Foi muito bom ouvir o Presidente Putin destacar o papel de Angola na estratégia da Rússia para a cooperação com a África”, exprimiu, sublinhando que aquele estadista conversou com o seu homólogo angolano sobre vários assuntos de interesse. Entre essas matérias, segundo Manuel Augusto, estiveram a cooperação no domínio espacial, da indústria extractiva e cooperação militar.

“Tivemos a sensação de que somos, de facto, hoje, o principal parceiro da Rússia em Africa”, vincou. Segundo o ministro, a declaração dos BRICS enuncia progressos na cooperação entre este bloco económico, que cada vez mais assume um papel determinante para a economia mundial, e a sua cooperação com África, fonte principal de matérias-primas.

A seu ver, a conferência deixou de lado as teorias e partiu para a identificação de sectores práticos em que a cooperação económica pode ser desenvolvida. “Foi uma grande conferência e gostaríamos de destacar também a capacidade de organização de um país africano, que é um orgulho para todos”, rematou, referindo-se à África do Sul.

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