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II Sub-chefe da polícia morto por marginais à porta de casa

João Santos Adão Francisco, de 49 anos, II sub-chefe da Polícia Nacional na Divisão do Cazenga, foi morto com disparo de arma de fogo perto de sua casa, surpreendido por dois marginais, quando tentava buscar o seu cão que saiu na altura em que estacionava a viatura dentro de casa, no bairro dos Correios, Golf I, em Luanda

Era para ser uma entrada normal em casa, como sempre, estacionando o carro no quintal, fechando o portão e ir descansar, para no dia seguinte, depois de renovadas as energias, ir ao trabalho.

Nos 30 anos que tinha de trabalho na Polícia Nacional, nunca ninguém pensou que não chegasse a cumprir aquela rotina porque seria morto por marginais à porta de casa. Vânia Lima, de 32 anos, cunhada da vítima (que o tinha como pai, por este ter cuidado dela desde os seus oito anos), contou ao jornal OPAÍS, com tristeza, que o sargento foi morto com disparo de arma de fogo sem ter a oportunidade de responder à mesma medida.

Conta que aquele que considera pai, após ter estacionado o carro dentro de casa, e porque o portão estava aberto e o seu cachorro saiu para a rua, saiu à busca do animal e foi surpreendido pelos marginais que dispararam contra si. João chegou a casa quando eram duas horas, proveniente do óbito da sua avó, no mesmo bairro.

“O menino que vivia com ele ouviu o cão a ladrar muito e saiu para ver o que se passava. Encontrou o portão aberto e a poucos metros de casa estava o pai e dois homens em troca de palavras.

Minutos depois ouviu o disparo e viu o pai a cair. A primeira reacção que teve foi jogar uma pedra”, contou. O seu pai foi baleado duas casas depois da sua, perto do portão de um familiar, tendo a bala perfurado a bexiga, os genitais e se alojado na coxa direita.

O menino, ao atirar uma pedra contra os meliantes teve a resposta de dois disparos, tendo um atingido o portão de casa, e o outro sido feito para o ar, o que fez com que se pusesse em fuga. “Assim que os meliantes se puseram em fuga, o menino gritou por socorro, os vizinhos apareceram e João foi levado ao Hospital, onde veio a conhecer a morte, trinta minutos depois, porque a bala era incendiária”, acrescentou, Vânia.

Polícia estava desarmado

João Francisco trabalhava na Polícia Nacional há mais de 30 anos, à data da sua morte tinha como patente a de II sub-chefe, e não lhe era permitido levar a pistola para casa. Assim, foi surpreendido pelos marginais armados e não teve
como ripostar na mesma maneira. É uma situação que inquieta os seus familiares, uma vez que não conseguem perceber como é que a um Polícia não lhe é permitido levar a pistola para casa.

“Estamos numa sociedade onde os polícias não conseguem manter a ordem e a tranquilidade porque a arma fica no serviço. O mais chato não é isso, é que até agora, apesar de ser um colega, não nos dão informações sobre o andamento do processo de investigação”, lamenta.

O caso está na 7ª Esquadra, segundo a nossa interlocutora, que “não está a fazer o seu trabalho como deve ser”. Acha que a família não está a ser “tida nem achada”, apesar de a situação ter abalado a todos, principalmente o menino que presenciou o acto e que até ao momento está assustado. João Francisco foi a enterrar no Cemitério da Camama, deixa cinco filhos e viúva, e era entre os familiares, curiosamente, denominado Tio Quatro.

Dois polícias mortos em menos de uma semana

Outro caso de assassinato de um polícia por marginais aconteceu no bairro Paraíso, no município de Cacuaco. O sub-chefe da Polícia, Justino Custódio Chitanda, foi morto ao reagir a uma tentativa de assalto, na Sexta-feira, 20.

O cidadão encontrava-se a gozar férias e estava a fazer serviço de táxi, com um turismo, quando foi abordado por elementos ainda não identificados, com a intenção de o assaltar.

A reacção do polícia fez com que os meliantes disparassem mortalmente contra si. Justino estava colocado no Comando Geral da Polícia Nacional em Luanda, no Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa, e na altura do assalto não tinha arma.

Entretanto, sobre os dois casos, as investigações estão a ser feitas pela Polícia Nacional, mas até ao momento não foi detido qualquer indivíduo suspeito de ter cometido aqueles crimes.

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