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Heróis anónimos

Tenho um amigo que gosta de contar as histórias do seu avô. Fala dele como um herói, as aventuras são muitas. E se não fala de aventuras, fala das actitudes destemidas que lhe foram narradas. Aquele avô é um herói para o meu amigo.

Texto de: José Kaliengue

Acho que os avôs são sempre uns heróis, basta que tenhamos convivido com eles. Eu gosto deste tipo de heróis, cujas histórias não vêm em biografias editadas, que não são revistas e reescritas. São histórias de pessoas imperfeitas, que cometem erros e que praticam acções que nos servem de lições para o resto da vida. Há quem conte histórias de um avô que resolvia tudo ao soco, ou de uma avó que pós um vizinho ou uma autoridade no seu lugar.

Há momentos na vida em que praticamos actos destemidos e que marcam quem está ao nosso lado ou quem vá deles saber. Dos meus avôs também tenho histórias, poucas, mas absolutamente demolidoras. Tive um avô que até hoje é a única pessoa que eu conheci que morreu de amor, mas disso falarei numa outra ocasião. O amor é coisa muito importante, e cada vez mais vou percebendo que ele não tem, de facto, nem limites, nem tamanho e muito menos hora.

É apenas entrega. Há dias, falava com uma pessoa sobre um amigo em comum, que agora, já nos cinquenta e poucos anos, casou-se. Nunca o vi tão apaixonado, tão bem comportado. Teve outras relações, muitas. Tem filhos de várias mulheres, mas está agora com uma pessoa que conhece de há muitas décadas.

Resolveu encostar? Terminou a “bala”? os dois (porque ela também já foi casada) resolveram “ficar já aqui” porque a juventude se foi? Tenhonos visto juntos, já falei com ele. O meu amigo viveu grandes aventuras, mas agora ama com um amor que o transformou, que o arrebatou. Esta entrega ao amor, sem passado, sem histórias, sem recriminações faz dos que se entregam também heróis. E felizes.

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