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Mali vota em eleições decisivas para toda a região do Sahel

Os eleitores do Mali votaram ontem, Domingo, 29, em eleições presidenciais que podem relançar o acordo de paz de 2015 e que deverá ter repercussões em toda a região africana do Sahel, vítima da violência de grupos jihadistas apesar dos cinco anos de presença militar internacional

As cerca de 23.000 assembleias de voto abriram às 08h00 e fecharam às 18h00. Os primeiros resultados são esperados em 48 horas, embora os oficiais deverão ser divulgados até 3 de Agosto, o mais tardar. Se houver segundo turno, será realizado no dia 12 de Agosto. Mais de oito milhões dos 18 milhões de habitantes do Mali, país do Oeste de África com cerca de vinte diferentes grupos étnicos, devem decidir entre reeleger o actual Presidente, Ibrahim Boubacar Keita, de 73 anos, ou escolher qualquer um dos seus 23 adversários, entre eles, o líder da Oposição, Sumaila Cisé, e Djeneba N’Diaye, a única candidata mulher.

A comunidade internacional espera que o vencedor reactive o processo de paz de 2015 entre o Governo e os ex-rebeldes Tuaregues, cuja aplicação ainda não terminou. Além das tropas de paz da ONU, uma força militar francesa, Barkhane, está estacionada no Mali para combater os jihadistas.

Apesar do acordo de paz, a violência dos grupos extremistas islâmicos não só contínua, como também se espalhou do Norte para o centro e o Sul do Mali, bem como para os vizinhos Burkina Faso e Níger. Segundo Mahamat Saleh Annadif, chefe da missão da ONU no Mali (Minusma), a eleição de Keita em 2013 permitiu “restabelecer a ordem constitucional”, embora a situação continue “frágil”.

O presidente votou pouco depois das 09H00 em Bamako, a capital, enquanto o líder da Oposição votou em Niafunke, na região de Tombuctú, no Noroeste. O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que esteve no Mali há dois meses, incentivou os eleitores a “converter essas eleições num processo pacífico, livre e transparente e de recorrer às instituições previstas em caso de litígio”.

A Oposição, que denunciava o risco de fraudes, finalmente chegou a um acordo com o Governo no Sábado para participar nas eleições, apesar das suas críticas. Na Sexta-feira, os jihadistas entraram em campanha com declarações do tuaregue Iyad Ag Ghaly, chefe da principal aliança jihadista do Sahel, chamada Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos e ligada à Al-Qaeda.

“Estas eleições são apenas uma miragem e o nosso povo vai colher apenas ilusões”, disse em um vídeo Ghaly, que em 2012 liderou um dos grupos islamitas que tomaram o Norte do país. Dado o risco de que as eleições não pudessem ser realizadas em algumas partes do território, o Governo implantou 30.000 membros das forças de segurança interna e externa. Apesar destas medidas, a participação deverá ser baixa, provavelmente menos de 50%, como nas eleições anteriores.

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