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Angola advoga união entre Estados para o combate ao terrorismo

Em Lomé, capital do Togo, Angola se fez presente pelo vice-presidente da República, Bornito de Sousa, em representação de João Lourenço, o Presidente da República. Quando Falou, Bornito apelou à cooperação entre os Estados visando a promoção da paz e do desenvolvimento

POR: Rila Berta,
enviada a Lomé, Togo

A capital togolesa foi palco da primeira reunião conjunta entre a CEDEAO e a CEEAC destinada a examinar aspectos sobre segurança e a luta contra o terrorismo e o extremismo violento. Para o vice-presidente angolano, Bornito de Sousa, o encontro já tem o seu lugar garantido na história, não só pelo que representa para o futuro imediato do espaço comum, mas, e principalmente, pelo sinal de coragem e de unidade que transmite aos povos e ao mundo. “Trata-se, na verdade, de um primeiro passo de grande alcance histórico, por significar que doravante teremos uma abordagem diferente e mais eficaz para um fenómeno que, claramente, põe em causa todas as nossas conquistas nos campos político, económico, social, cultural, técnico e científico”, considerou.

Todavia, Bornito de Sousa sublinhou a necessidade de agir com realismo, pragmatismo e, sobretudo, com sentido de unidade e entreajuda, tendo reiterado que apenas unidos “seremos mais fortes e estaremos em melhores condições de vencer mais este desafio”. Considerou o terrorismo e o extremismo violento uma ameaça aos Estados africanos e aos respectivos povos. “Pois não é possível falar em estabilidade e não é possível assegurar prosperidade e desenvolvimento enquanto tivermos regiões tomadas por grupos que espalham a violência, a intolerância e a anarquia”, considerou. Entretanto, assinalou que nas regiões onde há ausência de autoridade do Estado ou não chegam os efeitos das políticas públicas de envolvimento democrático e inclusão, e as populações não sentem os benefícios da exploração dos abundantes recursos que se encontram nos mares ou no subsolo de África, ou onde impera a corrupção, a injustiça na repartição da riqueza nacional e o desrespeito da Constituição e da lei, haverá espaço para a contestação violenta, o conflito e o caos. Para o vice-presidente da República, só a conjugação de acções e intervenções de âmbito político, económico, social, étnico-cultural e religioso e a compreensão das suas múltiplas variáveis e das causas que envolvem o terrorismo e o extremismo violento permitem encontrar soluções duradouras. A decisão de avançar para a criação de um fórum de discussão e de busca de respostas rápidas, concertadas e multidisciplinares para questões ligadas à paz, segurança e estabilidade e contra o terrorismo, a pirataria e o extremismo violento, encontra acolhimento quer no tratado que institui a CEEAC, como no tratado que cria a CEDEAO e tem ainda o respaldo de praticamente todas as convenções e protocolos internacionais, da União Africana às Nações Unidas, sobre prevenção e combate ao terrorismo e o extremismo violento.

Angola declara apoio a iniciativa

Segundo o vice-presidente da República, uma das grandes divisas da política externa de Angola, sob liderança do Presidente João Lourenço, é o apoio, incondicional a todas as iniciativas da comunidade internacional no âmbito da SADC, da CEEAC, da Comissão do Golfo da Guiné, da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul e, também, da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos, tendentes a contribuir para a resolução pacífica dos problemas que afectam os países da nossa região, como a RDC, o Lesotho, a RCA, o Burundi e o Sudão do Sul, tendo em conta o impacto negativo que esses conflitos produzem sobre a Região da África Central e Austral, bem como sobre o Continente Africano no seu todo. Por isso, justificou o apoio de Angola à iniciativa de realização da Cimeira Conjunta e da adopção da Declaração sobre a Paz, Segurança, Estabilidade e Luta contra o Terrorismo e o Extremismo Violento como mecanismos eficazes para a prevenção, identificação e eliminação de focos de conflito, terrorismo, pirataria e extremismo nas nossas duas Comunidades”, justificou.

Cooperação deve ser alargada

Ali Bongo Ondimba, Presidente da CEEAC, organização da qual Angola faz parte, defendeu que a luta contra o terrorismo, singularmente a luta contra o Boko-Haran, seja uma alavanca de reafirmação da cooperação entre os Estados das duas regiões. O responsável, que discursava na abertura da cimeira, afirmou que as ameaças de segurança, transversais nos espaços geográficos de ambas organizações exigem que os Estados membros ajam de forma concertada e conjunta. Para além da questão do terrorismo nos espaços da CEDEAO e da CEEAC, sugeriu o alargamento da cooperação inter-regional a questões como a segurança, a gestão concertada dos fluxos migratórios que impactam a segurança dos Estados e, por conseguinte, ameaçam o desenvolvimento dos mesmos, “para os quais é necessária uma reflexão comum e se encontrem soluções”, frisou.

Tchad acolhe a próxima cimeira conjunta em 2020

A próxima cimeira conjunta entre a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) está agendada para 2020 e será realizada na cidade de N`djamena, República do Tchad. A informação consta no comunicado final da primeira cimeira conjunta realizada ontem, Segunda-feira, 30, em Lomé, Togo. No final da cimeira, os Chefes de Estado e de Governo adoptaram a “Declaração de Lomé”, à luz da qual os países membros das duas organizações deverão conduzir as suas acções, sobretudo no domínio da educação das populações. Segundo o secretário de Estado da Cooperação, Domingos Vieira Lopes, o instrumento recomenda, sobretudo, mais atenção à juventude e aos camponeses.

Angola e Gabão trocam informações sobre autarquias

O vice-presidente da República manteve na tarde de ontem, Segunda-feira, 30, um encontro com o presidente da CEEAC e Presidente do Gabão, Ali Bongo Ondimba, em que procedeu à entrega de uma mensagem do Presidente da República, João Lourenço. No encontro, segundo o secretário de Estado para a cooperação, Bornito de Sousa falou da actualidade política no país e sobre a preparação para as eleições autárquicas. Por sua vez, Ali Bongo Ondimba falou da experiência do Gabão no âmbito das autárquicas. Angola esteve representada na cimeira, que acontecerá alternadamente a cada dois anos, pelo vice-presidente da República, em representação do Chefe de Estado angolano, João Lourenço. Os líderes da CEEAC e da CEDEAO decidiram, na 27ª cimeira da União Africana, realizada de 10 a 18 de Julho, no Ruanda, passar a reunir a cada dois anos alternadamente (em várias capitais), visando o reforço da cooperação em matéria de paz, segurança e estabilidade.

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