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A insustentável leveza da honra

Eduardo Mingas “Panda”, ao ter colocado o seu lugar de comandante- geral da Polícia Nacional à disposição do Presidente da República, acabou por dar um sinal importante à sociedade e aos efectivos da corporação, um sinal de que a honra e a dignidade ainda são conceitos que devem ser valorizados, importantes para que um homem ande de cabeça erguida. E mais ainda no nosso país, onde gestos semelhantes contam- se na metade de um dedo. Mas há que dizê-lo, também, numa altura em que há gente no Governo e noutras estruturas do Estado com muito mais razões para assumir gesto semelhante, mas que assobia para o lado numa sinfonia estridente e desconcertada, cujo resultado é o Estado em que está o país. Panda percebeu também a insustentabilidade da situação em que se achava em consequência do acidente de viação de que foi parte na semana passada. Sim, poderia também assobiar para o lado e deixar o tempo passar, mas teria se suportar as canções e tofo o tipo de piadas que a sociedade inventou instantaneamente, exactamente porque a honra já não é conceito em que se crê. Ele devolveu-nos um pouco de esperança.

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