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Batata rena da Huíla alimenta mercados de Benguela e de Luanda

A produção de batata é feita no perímetro irrigado da Matala, província da Huíla, onde grandes quantidades de tomate se deterioram por falta de conservação adequada

POR: João Katombela

Nos últimos tempos, o Governo angolano tem vindo a desenhar políticas viradas para dinamizar a agricultura e responder aos desafios da diversificação das fontes de receitas para o país. Para se atingir este propósito, várias acções são desenvolvidas em todo o território nacional, com destaque para a criação de vários perímetros irrigados. No município da Matala, a 180 Quilómetros da cidade do Lubango, província da Huíla, encontra- se o perímetro irrigado com o nome do Município, cuja extensão é de 45 quilómetros de canal de irrigação, 10.000 hectares de terra arável, para cuja exploração estão envolvidas sete cooperativas compostas por 518 agricultores. No perímetro destaca-se a produção de legumes, como a bata rena, o tomate, o alho, o repolho, cebola e o tomate, produtos que não se destinam apenas ao mercado local. Aliás, este mercado, segundo disseram alguns agricultores à reportagem do OPAÍS, não tem sido capaz de absorver as grandes quantidades que o perímetro produz.

A batata rena, por exemplo, já é comercializada nos mercados das províncias de Benguela, Luanda e Namibe. Isabel Augusta, de 42 anos de idade, é uma das compradoras do produto que é revendido em Luanda. Isabel afirma que “os custos de transportação, aliados à qualidade do mesmo, faz com que a Matala seja preferência em relação à província do Huambo, onde é igualmente produzida uma outra variedade”, declarou. Nesta época de colheitas, a comerciante conduz, semanalmente, para Luanda, cerca de cinco a dez toneladas de bata rena produzida no perímetro irrigado da Matala, na província da Huíla “A batata do Huambo tem boa capacidade de conservação, mas em contrapartida é muito fina, daí que tem pouca saída em Luanda”, frisou. O negocio é rentável não só para os que revendem, mas também para os transportadores. Este é o caso de João Mário, de 35 anos, que cobra Kz 4.500 por cada saco. O seu camião transporta 15 toneladas, correspondentes a 90 sacos de batata de 14 quilogramas. João Mário referiu que a preferência pela província da Huíla deve-se às condições da estrada. “Não é a primeira vez que eu transporto batata para Luanda. Faço esse trabalho há três anos, embora nos últimos tempos os fretes sejam poucos. Por causa da qualidade da batata, há mais clientes, não só para Luanda, como para Namibe e Benguela”, sublinhou.

Falta de escoamento reduz produção de tomate

O perímetro irrigado da Matala possui uma extensão de 10.000 hectares aráveis, destes apenas 2500 são explorados por sete cooperativas agrícolas daquela municipalidade. Além da batata rena, a cebola, o repolho e a cana-de-açúcar, no referido perímetro que é alimentado por canal de irrigação de 45 quilómetros, é também cultivado o tomate. Recentemente, várias quantidades do produto deterioraram-se por falta de mercado. Por esta razão, o Governo angolano havia disponibilizado um total de USD 13 milhões para a reabilitação da fábrica de transformação de tomate, que aguarda por inauguração desde Novembro do ano de 2009. No entanto, as obras continuam paradas. Para se inverter o quadro, os camponeses defendem a sua conclusão, bem como a instalação de câmaras de frio. A falta destas e outras condições permite apenas a produção de 25 toneladas do produto.

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