loader

Cerca de 100 pacientes acorrem diariamente à Psiquiatria

O banco de urgência do Hospital Psiquiátrico de Luanda (HPL) recebe, diariamente, entre 90 a 100 pacientes provenientes de várias partes do país, afirmou, Segunda-feira, a sua directora-geral, Antónia Sousa

POR: Maria Teixeira

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, Antónia Sousa disse que as principais razões da entrada desses pacientes têm muito a ver com o facto de ser o único hospital psiquiátrico do país que tem o serviço de urgência. “Todos os dias dão entrada na nossa instituição 90 a 100 pacientes por ser o único hospital psiquiátrico que faz o serviço de urgência e a demanda tem aumentado substancialmente”, disse. Explicou que os números tendem a aumentar pelo facto de os hospitais municipais não prestam serviços de urgência aos pacientes com problemas mentais, apenas o de consulta externa. Para responder à procura, a unidade sanitária conta com 15 médicos, dos quais dois expatriados. “Tem sido um trabalho árduo. Temo-nos desdobrado dois em cada serviço, devido à demanda”, detalhou.

Por outro lado, explicou que raramente os doentes morrem na psiquiatria por causa dos problemas mentais, mas sim por outras patologias. Nestes casos, são encaminhados para outras unidades sanitárias. Segundo a directora do Hospital Psiquiátrico, em cada urgência ficam dois médicos em serviço, coadjuvados por psicólogos e enfermeiros. A instituição sanitária leva a cabo um programa designado de “Saúde Mental”, no qual trabalham em parceria com os hospitais municipais, entre as quais, os hospitais dos Cajueiros (Cazenga), de Cacuaco e o do Capalanga (Viana). Nessas três unidades, os técnicos do HPL, angolanos e cubanos, realizam consultas periódicas com vista a cobrir a demanda na área de consultas externas.

Os técnicos dos bancos de urgência dessas unidades e não só, segundo Antónia Sousa, devem, sempre que um paciente apareça no estado de depressão e inquietação, encaminhá-lo à sua unidade para ser socorrido. Só depois deve ser feita a consulta externa a nível da municipalização, mas é no Hospital Psiquiátrico onde se faz o acompanhamento a esses pacientes. A responsável revelou que actualmente o HPL tem 151 enfermeiros, 11 psicólogos e três defectólogos, que atendem crianças e adultos com necessidades especiais de fala, triagem, autistas, entre outras deficiências. Entre os cerca de 100 pacientes que diariamente dão entrada no Hospital Psiquiátrico de Luanda, também há muitas crianças com problemas mentais. No caso dessas, Antónia Sousa declarou que trabalham com o Lar Kuzola, devido à escassez de espaços para internar crianças.

Dificuldades

Para uma unidade hospitalar que recebe doentes mentais provenientes de todas as províncias do país, Antónia Sousa considera a quantidade de técnicos insuficientes. Sublinhou que o número de médicos no hospital é reduzido, dado que muitas pessoas têm receio de trabalhar numa psiquiatria. Nesse momento, a sua instituição carece de recursos humanos. As infra-estruturas estão a ser reabilitadas de forma faseada, pelo que augura que sejam concluídas os mais breve possível, e assim melhorarem a sua capacidade de atendimento diário. “Não é fácil trabalhar nestas condições. Muitos médicos não aceitam trabalhar em psiquiatrias. Raramente os colegas que terminam o seminário se disponibilizam para ficar cá, por causa das próprias especificidades do nosso trabalho, uma vez que os pacientes de fórum psiquiátrico requerem atenção específica”, rematou.

Últimas Notícias