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Mediadores do CREL há cerca de dois anos sem salários

Trinta e cinco mediadores, entre psicólogos, sociólogos, advogados e juristas do Centro de Resolução Extrajudicial de Litígios (CREL), órgão adstrito ao Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, há cerca de dois anos que não recebem os seus salários

POR: Domingos Bento

Os mediadores do CREL, a OPAÍS, referem que a situação tem vindo a dificultar não somente as suas vidas particulares, como a da própria instituição afecta ao Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, vocacionada ao tratamento e resolução dos mais diversos problemas que afectam os cidadãos das vários estratos da sociedade. No entanto, os lesados estimam que até ao momento o valor dessa dívida ronda os cinco milhões de kwanzas para cada mediador. Segundo os funcionários, sob anonimato, a situação já é do conhecimento do ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, que, em Março, à margem de uma audiência solicitada pelos lesados, orientou que os departamentos responsáveis do seu Ministério procedessem ao pagamento imediato dos salários. Contudo, até ao momento nada foi feito e a situação mantém inalterada. “Isso aqui até é um desrespeito à palavra do ministro. Então o ministro, como chefe máximo, ordena que sejamos pagos e as pessoas que lidam com o processo decidem simplesmente não pagar, onde já se viu isso? Estão é a tirar a competência do ministro”, lamentou uma funcionária.

Alegados bloqueios

Segundo os queixosos, há uma corrente no interior do Ministério que impede que o pagamento seja feito. No entanto, esta mesma ala tem vindo também a criar bloqueios para que o ministro da Justiça não volte a encontrar-se com o grupo de lesados que, nos últimos meses, tem vindo a solicitar audiências, entretanto sem sucesso. “Nós acreditamos que o senhor ministro não sabe que ainda não fomos pagos. Porque desde que ele orientou ao pagamento já não voltamos a nos reunir. Logo, deve estar descansado achando que está tudo bem encaminhado, quando na verdade não está nada”, referiu outro funcionário.

Greve à vista

Os funcionários, que se encontram em regime de contrato, dizem ainda que nos últimos tempos a situação tem afectado o seu desempenho como mediadores e que por falta dos seus ordenados se sentem desmotivados para trabalhar. Conforme desabafaram, muitos dependem única e exclusivamente do CREL para sustentar as suas famílias e, nos últimos anos, só têm vindo a acumular contas por pagar. No entanto, caso o impasse se mantenha, os funcionários não descartam a possibilidade de accionarem uma greve para pressionar o órgão ministerial a proceder aos pagamentos. “Temos famílias para sustentar, propinas de colégios dos filhos a pagar, entre outras contas. Viver sem salário é complicado”. E acrescentam: “muitos de nós, só de pensarmos na situação, estamos a ter problemas de saúde”. “Não é para menos”, frisou um deles. “Estamos a enfrentar sérias dificuldades que só podem ser resolvidas com o pagamento dos nossos ordenados”, insistiu uma das funcionárias que implora pela intervenção dos órgãos de justiça. Contactado por OPAÍS, Quinta-feira última, o chefe do Departamento de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, Ladislau Ângelo, prometeu pronunciar-se sobre o assunto nos próximos dias, contudo, até ao fecho da presente edição tal não aconteceu.

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