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Paulo de Almeida o “senhor polícia” que se segue

Conforme noticiou ontem OPAÍS, Paulo de Almeida foi proposto pelo comandante-geral cessante, que o via como o quadro do sector em melhores condições de dar sequência ao programa de “Reestruturação da Polícia” em curso

POR: Paulo Sérgio

Depois de mais de 16 anos como segundo comandante- geral da Polícia Nacional, Paulo Gaspar de Almeida foi promovido ontem à categoria de comissário-geral e elevado ao cargo de Comandante Geral da Polícia Nacional pelo Presidente da República, João Lourenço. O Comandante em Chefe determinou, nos termos da Constituição da República de Angola e da lei que regula os Postos e Distintivos da Polícia Nacional, a referida promoção do novo comandante-geral da Polícia Nacional. Segundo uma nota da Casa Civil do Presidente da República, a que OPAÍS teve acesso, foi ainda exonerado o comissário-chefe António Pedro Joaquim Kandela do cargo de Comandante da Polícia de Guarda Fronteiras da Polícia Nacional. Noutro decreto, o Presidente da República nomeou o comissário- chefe António Pedro Joaquim Kandela para o cargo de 2º Comandante Geral da Polícia Nacional.

O Chefe de Estado tomou tal decisão depois de ouvir os membros do Conselho de Segurança Nacional que foram convocados, de emergência, em função de uma carta enviada ontem pelo comissário- geral Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda” à Casa de Segurança do Presidente da República, na qual manifestava que colocava o seu cargo à disposição, em consequência do acidente de viação em que esteve envolvido. No vasto curriculum de Paulo Gaspar de Almeida, consta que durante quatro anos foi coadjutor do então comandante-geral da Polícia Nacional, José Alfredo “Ekuikui”, exercendo as funções de segundo comandante. Este oficial superior marcou a sua época não só por ter afirmado, durante a primeira conferência de imprensa, aquando do início do seu mandato, que a Polícia Nacional de Angola era um osso duro de roer, mas que tinha dentes de leão. No final do seu mandato, em entrevista a um órgão de comunicação social que já está fora de circulação, declarou: “conseguimos roer osso e criar estabilidade”. Com a substituição do general Alfredo Ekuikui pelo comissário-geral Ambrósio de Lemos Freire dos Santos, em 2006, Paulo de Almeida continuou a exercer as mesmas funções, respondendo pela pasta da Ordem Pública.

Durante o consulado de Alfredo Mingas “Panda”, que durou apenas 253 dias, a contar de 21 de Novembro do ano passado, o novo comandante-geral da Polícia Nacional respondia pela mesma pasta. Esse comissário-geral fica marcado na história da corporação pela “cruzada desenfreada” que lançou contra sinistralidade rodoviária, com a instituição de operações regulares de prevenção rodoviária que têm contribuído na descida dos números de acidentes de viação. O combate à corrupção no seio da corporação também é outra marca de comandante Panda, que a classificou de um “vergonhoso fenómeno” e que constitui um dos maiores problemas no entre alguns efectivos da Polícia Nacional, “que deve ser combatido de forma severa”, durante um encontro com os seus colaboradores no Instituto Superior das Ciências Policiais e Criminais. “Quem acha que não pode sobreviver com o seu salário e usa ilicitamente a farda da Polícia para satisfazer as suas necessidades, extorquindo os cidadãos, deve pedir desvinculação da corporação”, afirmou, na ocasião. Conforme noticiou ontem OPAÍS, Paulo de Almeida foi proposto pelo comandante-geral cessante que o tem como o quadro do sector em melhores condições de dar sequência ao programa em curso.

Os cinco eixos de Panda

Alfredo Mingas “Panda” elegera cinco eixos fundamentais para o seu consulado, interrompido bruscamente em consequência de um acidente de viação de que resultou na morte de João Artur Jimbo, de 29 anos, e de Noémia Adelina Katuliche, de 22 anos. Caberá ao comandante-geral Paulo de Almeida decidir entre dar sequência ou eleger outros.

1 – Combate à corrupção interna. 2 – Restruturação da Polícia. 3 – Aumento das acções de combate ao crime. 4 – Prevenção á sinistralidade rodoviária (combate á condução sob efeito de álcool). 5 – Aposta na juventude.

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