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Presos com VIH/SIDA retomam tratamentos

Actualmente, os serviços prisionais albergam mais de cem detentos seropositivos, espalhados em diversas unidades penitenciárias do país

POR: Domingos Bento

O director adjunto do Serviço Penitenciário, Baptista Francisco, garantiu ontem, em entrevista ao OPAIS, que já está normalizada a situação dos antirretrovirais nos estabelecimentos prisionais a nível nacional, depois de enfrentarem, na semana passada, uma ruptura no stock, o que levou ao agravamento clínico de muitos presos infectados com VIH/SIDA. De acordo com o oficial, a falta de fármacos que se registou nos últimos dias não afectou apenas os serviços prisionais, como muitos especulavam.

Deve-se, conforme explicou, a um problema nacional com efeitos noutros estabelecimentos hospitalares, o que impossibilitou ao Ministério da Saúde distribuir os fármacos com a normal regularidade. Porém, feitos os acertos e ultrapassadas as dificuldades, Baptista Francisco assegurou que os seropositivos albergados nas unidades prisionais do país já retomaram os tratamentos. “Como sabe, somos uma unidade penitenciária e, para termos os fármacos, dependemos do Ministério da Saúde. Portanto, se eles estiverem com deficiência, nós também ressentimos. Mas agora já está tudo normalizado”, assegurou. Por seu turno, Meneses Cassoma, porta-voz do Serviço Penitenciário, disse que o seu órgão, pertencente ao Ministério do Interior, alberga, a nível nacional, um total de 104 detentos seropositivos, entre homens e mulheres.

Segundo o responsável, apesar de estarem privados da liberdade, todos estão em tratamento médico e separados das celas de outros presos devido ao seu estado serológico, para evitar que venham a ser discriminados por outros detentos. Neste caso, Meneses Cassoma disse não ser verdade o caso de contágio por VIH/ SIDA entre os detentos. As unidades penitenciárias têm vindo a obedecer às normas internacionais que apelam pela humanização constante. Neste sentido, dentro das cadeias os presos são separados mediante a sua condição de saúde, para evitar o agravamento do estado sanitário caso venha a necessitar de um tratamento diferenciado.

Detentos ocultam doença por vergonha

“Até mesmo entre os detentos doentes existe uma separação. Os que estão em seguimento normal são separados dos que estão em fase terminal. Isso evita, de certa forma, o contágio e a proliferação de doenças dentro dos estabelecimentos prisionais”, sublinhou. Cassoma disse ainda que muitos detentos dão entrada nas unidades penitenciárias sem conhecerem o seu estado serológico, e outros, mesmo sabendo, ocultam- no por vergonha. Só depois de verem o quadro clínico a agravar- se é que revelam, o que faz passar uma falsa ideia à família de que estes terão contraído a doença na cadeia. “Infelizmente, ainda não temos mecanismos que nos permitam examinar as patologias dos detentos assim que dão entrada, e muitos se escondem, quando já são portadores de doenças. Mas não é verdade que as pessoas contraiam aqui o VIH/SIDA”, assegurou. Para finalizar, disse que os detentos doentes em fase terminal costumam a receber soltura, em coordenação com os outros órgãos de justiça, para terem os seus últimos dias próximo da família. Já tiveram muitos casos do género, não só ligados ao VIH/SIDA mas também a outras patologias, como tuberculose ou diabetes.

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