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Mais de 100 espécies da biodiversidade angolana na lista vermelha

O Ministério do Ambiente apresentou ontem, em Luanda, a Lista Vermelha das espécies de Angola, que contempla quatro categorias, em que estão expostas as classes em extinção (3), ameaçadas de extinção (29), vulneráveis (100) e as invasoras (18)

POR: Stela Cambamba

A “Lista Vermelha” constitui um dos mecanismos para constatar a situação actual da biodiversidade e que permite tomar as medidas adequadas para inverter a situação de declínio. Para a ministra do Ambiente, Paula Francisco Coelho, o lançamento da referida lista projecta o desafio para a sociedade no sentido de reconsiderar as actuações que põem em causa a existência das espécies da fauna e da flora. Com a sua publicação em Diário da República, a lista torna- se um instrumento legal que exprime a posição do Governo em relação aos estatutos das nossas espécies.

“Importa realçar que perante a década da biodiversidade que culminará em 2020, foi lançada uma lista vermelha que não foi satisfatória, mas apresenta o risco e a vulnerabilidade que têm as espécies”, frisou. Das quatros categorias que compõem a lista vermelha, 3 animais estão extintos, 29 estão ameaçados de extinção, 100 vulneráveis e 18 espécies são invasoras. Apesar do trabalho que o Ministério do Ambiente tem levado a cabo, desde 2006, tendo em conta que estima-se um total de 240 animais nas reservas nacional de Cangandala e do Luando, a lista vermelha apresenta aqueles dados assustadores. Já não é possível encontrar no nosso país, porque foram extintos, o Pinguim do Cabo, o Rinoceronte Preto e a Hiena Castanha.

Os dois últimos animais foram extintos por causa da caça furtiva de espécies que consumiam, enquanto o primeiro foi devido ao desequilíbrio ecológico. A palanca negra gigante está na lista vermelha, na categoria B (espécie em via de extinção). Nos parques nacionais, cerca de 60 animais, entre machos e fêmeas, encontram-se em quarentena. Quanto ao imbondeiro, tem sido vítima da urbanização, considerando que a árvore gosta de estar em companhia de outras espécies, como a erva, vulgarmente chamado de capim, e quando esta erva é eliminada, o embondeiro fica vulnerável. Já a vulnerabilidade da Welwitschia Mirabilis deve-se ao excesso de pastoreio (quando o gado procura o seu alimento acaba por pisar) e este facto acaba por ameaçar a espécie.

Lista vermelha será revisada de cinco em cinco anos

A lista vermelha de espécies de Angola estabelece as espécies de fauna e flora extintas, ameaçadas de extinção, vulneráveis e invasoras. As categorias de cada espécie serão actualizadas em função das informações e dados científicos disponíveis, em cada cinco anos. A lista contempla quatro categorias, denominadas A, B, C e D. Na primeira categoria estão as espécies extintas, quando tem histórico de ocorrência natural em Angola e é dada por nunca mais vista no seu habitat. Na categoria B, com um total de 29 espécies, estão as ameaçadas de extinção, quando diversos factores ameaçam seriamente a sua existência, dificultando a sua reprodução ou regeneração natural, levando as suas populações abaixo dos níveis sustentáveis. Fazem parte da categoria B, só para citar algumas, o Mabeco, Hiena Malhada, Protelo, Leão, Chita ou Onça, Zebra de montanha, Gorila, Pacaça ou Búfalo vermelho, Chimpanzé, Manatin, Palanca Negra Gigante, Macaco de Brazza, Colobo, Raposa das Areias, Suricata, Babuíno (Macaco Cão-cinzento), Búfalo, Girafa de Angola. Na categoria C, espécies vulneráveis, quando as actividades humanas ameaçam a sua existência natural no território nacional, estão a Zebra de Planície, Elefante da Floresta, da Savana, Gimbo, Leopardo, Gato Selvagem, Raposa Orelhuda, Chacal de Dorso Preto, Babuíno (Macaco-Cão-Amarelo), Pedriz de Estrias Cinzenta, de Montaha, Rouxinol de Pulitzer, Avestruz, Tartaruga Oliva, Cabeçuda, Verde, de Pente, de (Cágado), Dobradiças de Bell, entre outros. E, na última categoria, D, espécies invasoras, quando a classe não ocorre naturalmente ou é introduzida numa determinada localidade do território nacional, concorrendo ou eliminando as nativas. No total são 18 espécies, dentre as quais o Cacusso, Girassol, canado- reino, Jacintos de água, entre outras.

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