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Muçulmanos ismailitas em Angola assinalam Jubileu de Diamante de Agga Khan

São 15 milhões de fiéis espalhados pelo mundo. Em Angola são pouco menos de 1.000 membros e querem dar-se a conhecer pela via do que mais sagrado transportam na sua fé: a Paz. Todavia, não deixam de parte o bem-estar, a sabedoria e o desenvolvimento económico

Para a comunidade Muçulmana Ismaelita, o mês de Julho de 2018 foi especial porque “Sua Alteza o Príncipe Aga Khan” comemorou em Portugal a cerimónia de encerramento do Jubileu de Diamante. Enquanto 49º Imam Hereditário dos Muçulmanos Shia Imami Ismaili, foi recebido com honras de Estado pelas mais altas autoridades Portuguesas, no âmbito da sua visita e das comemorações do Jubileu, tendo proferido um discurso no Parlamento Português, abordando temas sobre a ética cosmopolita, o pluralismo, o desenvolvimento económico e o estabelecimento da Sede do Imamato (Imamat Seat) em Portugal. Os ismaelitas são muçulmanos que acreditam na existência de um único Deus, a quem chamam Alá, e para eles Maomé foi o último profeta e mensageiro da revelação do Alcorão. São Xiitas e a sua crença defende que Maomé tinha revelado em vida que com ele terminaria a era da profecia, seguindo-se-lhe a era do Imamato ou Imamat, do qual o “Príncipe Aga Khan” é o 49º Imam.

A pequena comunidade em Angola fez-se presente em Portugal no palco das comemorações e para se juntar aos cerca de 50 mil fiéis, irmãos e irmãs de fé, idos de várias partes do mundo para as celebrações do Jubileu de Diamante do líder espiritual dos ismailitas em todo o mundo. Alguma imprensa refere-se ao líder ismailita como o “Príncipe sem reino”. Outros questionam de onde vem tanta influência em torno de um homem que move milhões e é tido como um dos líderes religiosos mais ricos do mundo. Os seguidores justificam a azáfama com a assertividade e a importância da sua doutrina com mais de 1.500 anos de história. São crentes em Deus, no Profeta Maomé e no livro sagrado (Al Corão) e na interpretação da fé realizada pelo seu líder espiritual, o Aga Khan, no seu mandato de Imam do Tempo. No continente africano os Muçulmanos Ismaelitas estão na costa oriental Sul, nomeadamente Quénia, Tanzânia, Moçambique e Madagáscar. A Norte, no Egipto e a Ocidente no Senegal, Mali, Burquina Faso e Costa do Marfim. Na África central estão no Burundi, Republica Democrática do Congo e em Angola.

Os Muçulmanos Shia Imami Ismaili destacam-se pela tolerância e perspectiva de futuro e defendem que a diferença não é uma barreira, antes até um denominador comum. “O mundo que desejamos não é um mundo onde a diferença é erradicada, mas sim onde a diferença pode representar uma força poderosa para o bem, ajudando-nos a criar um novo sentido de cooperação e de coerência e, em conjunto, construirmos uma vida melhor para todos”, defende o Aga Khan. Alias, o líder espiritual dos Ismailitas, promove também o diálogo e a colaboração entre as diferentes religiões e tem sido um forte defensor de uma melhor compreensão sobre o Islão. Destaca o Islão como uma fé pensante e espiritual que promove a compaixão e a tolerância, defendendo a dignidade do ser humano. Rejeita a noção do conflito inevitável entre povos que trata como “choque de ignorância” por oposição ao discurso de “choque civilizacional”.

Rede Aga Khan para o Desenvolvimento

Dez anos depois de ter sido designado como Imam Hereditário dos Muçulmanos Shia Imami Ismaili, ou seja há 50 anos atrás, criou as bases de uma rede de instituições e agências de desenvolvimento com propósitos humanitários. Actualmente conhecida como a Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN), ela opera em três áreas distintas: desenvolvimento económico, social e cultural, sendo as iniciativas inspiradas na ética Islâmica da compaixão e da responsabilidade por apoiar os mais vulneráveis, trabalhando para o bemestar comum de todos os cidadãos, independentemente do seu género, nacionalidade ou fé. A Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN) ao longo dos últimos 60 anos tem sido o veículo que acomoda grande parte da acção social relevante dos Ismailitas no mundo através de um conjunto de instituições e agências que prestam serviços essenciais e cujos números são dignos de destacar. A AKDN tem actividade em mais de 30 países, sobretudo nos continentes africano e asiático, mas não só, está em países como o Canadá, Estados Unidos, Paquistão ou Índia.

As agências da AKDN têm mandatos em áreas desde a saúde e educação à arquitetura, microfinanças, mitigação de desastres, desenvolvimento rural, promoção do empreendedorismo no sector privado e a revitalização de cidades históricas. Em conjunto, contribuem para a edificação de uma sociedade civil dinâmica, que responde às necessidades das populações vulneráveis. A AKDN é constituída por várias instituições e agências de carácter não confessional e conta com cerca de 80 mil colaboradores por todo o mundo. A AKDN canaliza, anualmente, USD 925 milhões para actividades de desenvolvimento cultural e social. Em simultâneo, a AKDN opera mais de 90 empresas em economias de regiões em regime pósconflito e de transição, apoiando o estabelecimento das bases para o desenvolvimento económico, nesses países. Actualmente geram acima de USD 4.1 biliões em receitas. Os lucros resultantes destas actividades são reinvestidos em projectos para o desenvolvimento. Pelo menos 10 milhões de pessoas beneficiam de electricidade produzida no âmbito da acção da AKDN, outros 5 milhões recebem cuidados de saúde de qualidade e 2 milhões de estudantes do ensino pré-escolar a universidade são igualmente apoiados pela AKDN. A cultura, o desenvolvimento rural e as infra-estruturas são outras áreas onde a rede estende a sua mão. Estes e outros benefícios são passiveis de um dia se estenderem a Angola, no âmbito de parcerias que podem ser estabelecidas com a Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN), desde que criadas as condições e estabelecidos os laços de cooperação e entendimento com Governo angolano, instituições humanitárias e parceiros da sociedade civil.

A comunidade Ismaelita em Angola

Estão presentes no país há mais de 30 anos, mas consideram que estão ainda a dar os primeiros passos em Angola. Por enquanto os quase 1.000 membros da comunidade Ismaelita estão maioritariamente em Luanda e no Lobito. É pelo trabalho e solidariedade que se têm vindo a integrar e vão aproximando do país de acolhimento. Algumas doações às instituições sociais (lares de terceira idade e orfanatos) são das acções realizadas. Apesar da generosidade dos gestos, a comunidade não considera a sua acção como filantropia, mas sim apoio na melhoria da qualidade de vida da população e promete continuar a ajudar sempre que possível e, de preferência, com formas mais sustentáveis. São igualmente pacientes e reiteram que dias melhores estão por vir no país que escolheram como destino e onde, para lá da fé religiosa, inserem-se na vida social e produtiva, convictos de que assim podem ajudar a melhorar a qualidade de vida da sua comunidade e da população onde estão inseridos. Segundo Zahir Aly Sidi, o presidente do Conselho da Comunidade Muçulmana Shia Imami Ismaili em Angola, as relações com as autoridades angolanas são muito cordiais e baseiam-se na importância de “construir pontes de entendimento com as autoridades e a sociedade civil”. A comunidade Ismaelita em Angola vive uma rotina normal “trabalhando de forma séria e com base nos princípios éticos que norteiam a vida entre pares e baseada no respeito reciproco”. Maioritariamente integrada por empresários, a Comunidade Muçulmana Ismaelita em Angola, trabalha nas áreas do comércio, indústria, saúde, hotelaria, educação e prestação de serviços.

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