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Problemática da zungueira angolana num fórum dos Estados Unidos e China

O presidente da Associação dos Vendedores Ambulantes de Luanda (AVAL) foi convidado por uma organização política fundada nos Estados Unidos da América, denominada MUNI, a participar num fórum em que serão abordadas questões relacionadas com a venda ambulante, nos EUA e na China

POR: Maria Teixeira

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, ontem, o presidente da Associação dos Vendedores, José Cassoma, anunciou que a sua associação foi convidada a participar num fórum sobre zungueiras e/ou vendedores ambulantes que decorrerá, em Outubro, nos Estados Unidos e na China. Segundo José Cassoma, levarão como preocupações o grande projecto que têm de conseguir um parceiro para apoiar as cooperativas da mulher zungueira em Angola, uma vez que já fizeram muitos contactos junto da classe empresarial angolana e, até ao momento, não obtiveram resposta positiva. “Já contactámos alguns bancos para que pudessem nos dar algum financiamento e não temos tido essa sorte.

Agora vamos tentar aproximar-nos de algumas potências económicas mundiais, a partir das Organizações dos Direitos Humanos, para ver se há interesse de financiamento do nosso projecto de cooperativa agrícola”, disse. Uma outra preocupação que será levada é o facto de terem existido perseguições aos vendedores ambulantes com exageros que lesam os direitos humanaos, bem como a falta de vontade política de aprovar as leis que os protegem, que regista um atrasso sem justificação. Ainda tem a questão de não se ter feito um estudo a nível de todas as províncias da actividade agrícola, que pensa ser fundamental, porque são os camponeses que se transformam em vendedores ambulantes, abandonando as suas áreas de origem e as suas terras de cultivo, em busca de melhores condições de vida na capital do país. “A nossa preocupação é mesmo conseguir um parceiro a nível dos países de maior economia e mais industrializados, que possam solidarizar-se com o fenómeno que se passa com a mulher zungueira no nosso país”, garantiu.

O governo não quer ouvir as nossas preocupações

O responsável referiu que o fórum vai tratar também do projecto Zungueiras Kwati Ketemo, que visa transformar o vendedor ambulante em pequeno e/ou grande agricultor. “O problema da venda ambulante afecta mais a província de Luanda em relação às demais e o Governo não quer ouvir as nossas ideias. Nós achamos que isso é um atentado à sociedade, porque o Governo não pode trabalhar sozinho, deve ter parceiros e ouvir as nossas ideias”, disse. De acordo com José Cassoma, todos os programas e encontros que o Governo da Província de Luanda poderia tratar, relacionados à mulher zungueira e a sua associação, têm sido postos de parte.

“Temos sido excluídos, porque alguns pretendem criar algumas associações com fins duvidosos para desviar as verbas do Estado, os vendedores não se beneficiam de nada e isso nos preocupa”, lamenta. A AVAL tem sido sondada por alguns grupos políticos como a MUNI, uma organização política fundada nos Estados Unidos da América, no sentido de juntos encontrarem soluções para resolver os problemas dos vendedores ambulantes. “Estamos a pensar em, através das cooperativas, inserir estes vendedores, que serão transformados em agricultores, no sistema de assistência social, para terem alguma pensão e sobreviverem quando atingirem a idade da velhice”, explicou. A Associação foi fundada no dia 10 de Dezembro de 2014, com o objectivo de organizar a venda ambulante colaborando com o Governo da província de Luanda. Neste momento estão inscritos 2.400 vendedores.

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