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Inauguração impede moradores da Barraca de consumir água do chafariz

Os moradores da localidade da Barraca, município de Icolo e Bengo, em Luanda, manifestaram a OPAÍS o seu descontentamento pelo facto de estarem privados do consumo de água potável, havendo um fontanário instalado há mês e meio na zona e que permanece inoperante, sob pretexto de ainda não ter sido inaugurado.

Texto de: Alberto Bambi

Segundo eles, as obras, que deviam ser concluídas no primeiro trimestre deste ano, só tiveram fim no mês de Maio, sendo que, desta fase até Quarta-feira, 1, dia desta reportagem, as torneiras do chafariz foram abertas por três ocasiões.

“A terceira vez que abriram as torneiras foi no dia 19 de Julho, mas só passou água durante menos de 20 minutos, quase ninguém aproveitou, eu é que consegui encher um bidão de 20 litros e depois tive de dar um pouco para aqueles que pediam para beber”, disse Salomão Benguela, tendo revelado que, nas anteriores ocasiões, o precioso líquido jorrou ainda por menos tempo.

A insatisfação da população dessa área de Luanda foi aumentando cada vez que, depois de encerrarem a conduta, funcionários chineses exibiam as chaves e alegavam que os habitantes deviam ter calma, pois estavam a cumprir ordens superiores, até ao dia da inauguração.

“Se isso fosse verdade, os chineses não deviam abrir as torneiras repetidas vezes, porque não vêm fazer experiência, aliás, anunciam-nos que já vamos acarretar água, à vontade, mas quando registam enchente no chafariz encerram-no e dizem para esperarmos até os chefes inaugurarem.

As senhoras da comunidade não entendem como é que um bem de necessidade diária tem de esperar pelo administrador ou pelo governador para inaugurar, enquanto a população, que já viveu muito tempo à espera de água, fica a sofrer por não ter acesso ao líquido vital.

“Por que é que não dão oportunidade ao coordenador da Barraca para inaugurar o chafariz, em vez de esperarmos pelos chefes da cidade que não têm muito tempo para vir aqui?”, questionou Justina Justino, realçando que o sofrimento das mulheres da comunidade redobrou, porque os camionistas que vendiam água à população local deixaram de frequentar a zona com regularidade.

Importa referir que estes habitantes conseguiam água a partir de camiões-cisternas saídos de outras paragens de Luanda e pagavam 400 Kwanzas por um tambor de 200 litros. Mas tratava-se de água captada do rio, que ainda requeria um tratamento para ser consumível, segundo disseram os próprios moradores.

O que Justina Justino e outras senhoras não querem voltar a experimentar é a dependência total dos camiões-cisterna, de modo a evitar também gastos financeiros avultados.

“Quase todas as donas de casa da Barraca chegavam a gastar mil e 600 Kwanzas, se enchessem os tambores quatro vezes por semana”, calculou a interlocutora deste jornal, adiantando que nenhuma família conseguia sobreviver por via dessa alternativa. Por isso, a senhora apelou aos responsáveis do município e da província para autorizarem definitivamente a abertura das torneiras.

Receio de estragos

Vasco Luís está preocupado com a expectativa que o chafariz causou à população local, ao ponto de todos os dias um ou outro morador manipular as torneiras dos fontanários, a ver se será ou não o dia em que vai jorrar água. “Por causa dessa ânsia, podemos ver as torneiras estragadas, então, é melhor que os responsáveis providenciem o funcionamento do chafariz e passem a responsabilidade à coordenação do bairro.

De acordo com Vasco Luís, os trabalhadores da empresa destacada para a canalização da água na Barraca fizeram o mais difícil, que, no seu entender, é a escavação do solo e a colocação dos tubos, razão pela qual não se justifica as suas actuais alegações, segundo as quais têm de esperar por alguém para inaugurar ou pela chegada da conduta à localidade Maria Teresa.

Recomendou, igualmente, que os técnicos autorizem o consumo do precioso líquido e, quando os alegados inauguradores tiverem tempo, que venham ao bairro e formalizem a tão invocada inauguração.

“Não faz sentido ter água e ficar impedido de consumir ou usar”, desabafou o entrevistado, tendo acrescentado que tal decisão ressuscita o negócio de água salobra ou do rio na localidade.

Energia da comarca reclamada

Os entrevistados de OPAÍS referiram-se à necessidade de o bairro ter energia eléctrica, uma vez que as localidades vizinhas de Cassoneca e Maria Teresa já possuem o referido bem público. “Uma coisa que nos deixa muito tristes é que por aqui tudo passa, a energia, a água e só depois é que pensam em nós”, reclamou Vasco Luís, baseando-se na realidade dos outros bairros já referenciados. Finalmente, Vasco Luís desabafou dizendo que não conseguia perceber como é que na Comarca, localizada a menos de oito quilómetros da Barraca, tinha energia eléctrica e no seu bairro não havia luz.“Não acho que uma instalação de lá para cá custe muito dinheiro”, presumiu.

Rendimentos, caça e agricultura A maior parte dos habitantes dessas paragens da província de Luanda dedica-se à agricultura e à caça, não espantando, portanto, que a venda de produtos agrícolas, como o milho, tomate, cebola, bem como de animais capturados, dominem o mercado improvisado à beira da Estrada Nacional Número 230.

O carvão é outro produto que entra nas contas desses aldeões como fonte de rendimento. A par da carne de caça, é considerado pelos residentes como o negócio mais rentável, custando entre dois e três mil Kwanzas o saco.

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