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”Kalunga” novo romance de Manuel Rui Monteiro lançado na União dos Escritores Angolanos

O livro, com a chancela da Editora das Letras, divide-se em 8 capítulos dispersos em 298 páginas e foi apresentado por três especialistas em crítica literária, nomeadamente Gabriel Liprince, do Brasil, Luís Kandjimbo, de Angola, e José Manuel Levi, em representação de Luís Mascarenhas Gaivão, de Portugal

Texto de: Augusto Nunes

o Jango da União dos Escritores Angolanos foi pequeno para o elevado número de pessoas que para lá se desloucou com o objectivo de adquirir a nova obra do escritor Manuel Rui Monteiro, que descreve o encontro do continente africano com o Brasil.

As honras da casa estiveram a cargo do anfitrião Carmo Neto, Secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, que, em poucas palavras, fez a uma introdução do romance histórico diferente do que habitualmente o autor da obras nos tem proporcionado, gerando assim expectativas que, no seu entender, recriam o processo histórico de resistência e de campanhas realizadas pelo império colonial com o objectivo de apossar-se de terras ricas em minerais e captura de escravos.

Já o crítico literário Gabriel Liprince, do Brasil, destaca no novo romance de Manuel Rui Monteiro o ponto de vista anticolonial, que dá a tão sonhada voz ao ser humano relegado à condição força de trabalho. Gabriel Liprince realçou que essa voz principal do africano roubado da sua terra triunfa acima daqueles senhores que uma vez chegaram e destruíram culturas, religiões, línguas, visões de mundo e memória de diversos povos nativos.

Um povo triunfante, que além de ser o ponto de vista de onde parte a acção, trás-nos aquela identidade que foi perdida no processo. Gabriel Liprince recordou que a palavra “Kalunga” deste título pode significar mar, como também pode significar morte. No seu entender, o múltiplo significado desta palavra não é gratuito. A morte no mar, na tentativa de ir ao outro lado, pode ter diferentes motivos, tendo como perspectiva um navegador português ou africano, como é o caso.

“O mar que o pecado original fez o homem a usá-lo como caminho de roubar os filhos às mães e aos pais, destruir as famílias e as culturas dos outros só pela vil ganância da riqueza é por onde vai o branco buscar à África os escravos que são tratados como animais”, disse.

O especialista salientou que o movimento negro no Brasil, presente desde a luta pela abolição da escravatura, toma corpo à medida que se debate no entremeado das chamadas minorias, gerando uma consciência da identidade, da valorização das nossas origens africanas e vai surgindo ao fio do tempo.

Para Gabriel Liprince, ”Kalunga”, além de um romance histórico, “é um épico realista nos detalhes, clássico na directriz e nobre nas riquezas culturais, e é um canto à nossa raiz africana, um despertar da voz dos anoitecidos e a aula de uma história propositadamente esquecida”.

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