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Lomé da magnifica praia ao comércio informal

Ao longo da marginal e no interior da cidade a árvore de referência é o coqueiro. Por isso, a água de coco e os cocktails à base deste fruto, são as bebidas de referência na cidade de Lomé. A água de coco é comercializada a 100 francos CFA nas ruas (menos de 50 kwanzas)..

POR: Rila Berta

Lomé é a única cidade banhada pelo oceano Atlântico no Togo, o quarto menor país africano. A sua costa, apesar de pequena, com pouco mais de 45 quilómetros, seduz quem quer que seja, tanto pela areia branca e limpa, como pela quantidade de coqueiros imponentes que se curvam e saúdam quem por aí passe, com as suas folhas verdes e os frutos saborosos, alguns com água (suco) que chegam a ultrapassar os 500 ml.

Entretanto, a costa marítima que o país possui bem podia ser melhor aproveitada para a hotelaria, pesca e turismo. A praia de Lomé que OPAÍS visitou, na região próxima da fronteira com o Gana, ficou rendida ao comércio informal. Ao meio da tarde os clientes começam a chegar e são acomodados na areia. Apesar da proximidade com o mar, ali não se vende marisco e muito menos peixe. Vende-se carne grelhada em espetos, moelas e galinha grelhada, servidos com picante e cebola roxa crua às rodelas, a 100 kwanzas (cerca de 300 francos) cada espetada. Ao cair da noite o movimento torna-se mais animado. Sente- se o cheiro de “liamba”, mas também faz-se uso de chicha e de cigarrilhas com sabor a cerejas. O ambiente é animado. Ouve-se música alta, maioritariamente internacional. Há DJ’s a tocarem e mestres de cerimónia que volta e meia vão saudando os visitantes que ali acorrem, sobretudo se forem estrangeiros.

Os clientes são, na sua maioria, homens que acabam por encontrar acompanhantes no local. Consome-se muita bebida alcoólica. Além de cervejas, bebese também vinho e espumante. A Pils é a marca favorita. A cerveja de 750 ml, por exemplo, custa o equivalente a cerca de 300 kwanzas (650 francos). No local existem algumas latrinas sem as mínimas condições de uso. Mas isto não desanima a clientela que, mesmo a meio da semana ali vai. As mulheres estão sempre bem vestidas e na sua maioria procuram por uma companhia masculina para pagar a conta. Vêem-se muitas crianças a pedir esmolas, mesmo depois do escurecer e o álcool tornar as pessoas desinibidas. Na marginal estão estacionadas várias motos que fazem serviço de táxi. Os condutores são maioritariamente jovens, poucos aparentam ter mais de 25 anos. Entre eles há luta pelos clientes. “Não é uma zona segura para turistas porque há muitos assaltos”, alerta um consumidor que se mostrou espantado por ver angolanos ali. Aliás, disse não conhecer angolanos que vivam em Lomé. Todavia, no local são vistos alguns estrangeiros, ou pelo menos cidadãos brancos. No dia seguinte as barracas ficam fechadas no período da manhã. Vê-se pouco lixo no chão, para a quantidade que se produz. Alguns transeuntes usam a marginal para fazer caminhadas ou correr e, normalmente, o limite é em direcção ao centro da cidade, até à fronteira com o Gana. Na fronteira há muito movimento de pessoas e bens, sobretudo do comércio informal.

A República togolesa localiza-se na África Ocidental. É limitado a Norte pelo Burkina Faso, a Leste pelo Benim, a Sul pelo oceano Atlântico e a Oeste pelo Gana. A capital é Lomé. É um dos países mais pequenos de África, com uma população estimada em cerca de 7 milhões e 600 mil habitantes. O francês é a língua oficial. Porém o país, apesar de pequeno, possui várias línguas tradicionais, com realce para o “Ewe” falado no Sul do país e “Kabye”, no Norte. O calendário escolar acompanha o regime europeu, com as crianças a beneficiarem de férias entre Agosto e Setembro. Por isso, nesta altura é comum ver crianças da classe social média-alta, a frequentar as piscinas dos hotéis para a prática de natação. Além do mercado informal, a população aparenta viver em más condições. Boas infra-estructuras no centro da cidade contam-se poucas. Há muitos jovens a vender nas ruas e a fazerem o serviço de moto-táxi, que é o meio de transporte mais usual.

Angolanos contam-se aos dedos

A comunidade angolana no Togo é diminuta. De acordo com o embaixador angolano no Togo, Eustáquio Quibato, contam-se apenas cerca de sete estudantes angolanos no ensino secundário em Lomé. Os estudantes são filhos de angolanos que fixaram residência naquela região, não são bolseiros. “Existem cerca de 15 angolanos no Benim, mas foi essencialmente durante o período de conflito que havia um número relativo de angolanos aqui no Togo”, diz o diplomata que também representa o país na Nigéria. OPAÍS tentou, sem sucesso o contacto com os estudantes.

Catedral cercada de comércio

Uma das maiores atracções turísticas da cidade de Lomé é a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, conhecida como “Cadetral de Lomé”. OPAÍS visitou a instituição religiosa. Fomos recebidos por Robert Ayitevi, responsável pela comunicação. Começou por explicar a história da casa santa que foi construída em 1892. Possui no total 7 dioceses em diferentes regiões do país, com cerca de 154 paróquias. Tem no interior uma escola primária para cerca de 250 crianças. Tem também uma livraria que se dedica à disponibilização de livros religiosos e de outros géneros, como académicos, para consulta e para venda. No espaço há também uma residência para os sacerdotes, uma para as madres e outra para os visitantes, que, segundo Robert, também serve de acolhimento para quem necessite. O recinto é usado também para a formação musical de jovens. De acordo com o responsável para a comunicação, a Catedral tem nove grupos corais, cujos componentes beneficiam de formação em piano, órgão e outros instrumentos.

A catedral está cercada pelo principal mercado informal da cidade de Lomé. Descontente com o facto, Robert Ayitevi afirma tratar-se de uma situação que cria constrangimentos no normal funcionamento da instituição religiosa. Justifica que a Igreja surgiu primeiro em relação ao mercado, por isso, refere, as instituições de direito deveriam rever a situação. Apesar de ser uma referência na história do país e que podia ser uma atracção turística, o acesso à catedral é difícil por estar cercada de vendedores ambulantes. É que ao redor localiza-se o “Grand Marché de Lomé”, um dos maiores mercados da província, com edifícios de três andares completamente preenchidos com barracas. Vende-se de tudo, desde utensílios domésticos, alimentos e vestuários, com realce para os de matéria-prima africana. Os crentes que desejarem rezar devem deixar as viaturas a quilómetros de distância, apesar de a Catedral também ter um parque de estacionamento, mas que se revela insuficiente para a quantidade de cristãos católicos. A Catedral do Sagrado Coração de Lomé é uma importante obra-prima da capital togolesa, inspirada na igreja da Casa Mãe da Sociedade do Verbo Divino em Steyl. Construída em 1901-1902, comporta uma nave ampliada por galerias altas, erguida em 1914. Cerca de 27% da população é católica. A relação entre os cristãos e as demais religiões é salutar .

Angola e Togo relançam cooperação

Angola e o Togo deverão estabelecer parcerias nos domínios da refinação, cimento e pesquisa agrícola, informou recente mente o embaixador angolano no Togo, à margem da primeira cimeira conjunta da Comunidade Económica dos Estados da África Centra (CEEAC) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). “Estamos a terminar alguns arranjos, desde a última visita do ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, a Lomé, para relançar a cooperação e voltar a reunir a comissão mista”, disse. A cooperação com o Togo enquadra- se na cooperação Sul- Sul. Eustáquio Quibato explicou que o Togo tem trabalhos desenvolvidos no domínio da pesquisa e produção agrícola que poderão servir de modelo para Angola, que, por sua vez, disponibilizará os seus recursos e capital humano para a promoção e desenvolvimento das relações de cooperação entre ambos os países. O embaixador de Angola no Togo explicou ter havido um período em que se criou uma comissão mista entre os dois países, com a qual estavam em negociações algumas parcerias no domínio da refinação, da pesquisa agrícola e produção de cimento.

O casamento entre a arte e o comércio

Os principais produtos comercializados nos diferentes mercados das ruas de Lomé são as roupas de pano africano e as peças artesanais. Em entrevista a OPAÍS, Djaledjete Kossi Yohannes, de 57 anos, considerou a arte de produzir com matéria-prima local, nomeadamente panos e madeira, como sendo a principal atracção turística na região. Viúvo, pai de dois rapazes adolescentes, trabalha há 29 anos no “Hotel École”, uma unidade hoteleira de referência localizada na marginal da capital, que em tempos idos chamou-se Hotel Ibis, mas que, segundo informa, mudou a denominação porque passou a ser gerida pelo Estado. Diz não ver muitos turistas frequentarem o local. “Normalmente são delegações que vêem quando há encontros como cimeiras ou congressos”, diz. Todavia, o local que recomenda para quem quer levar uma lembrança do Togo é o “Centre Artisanal”. Localizado na baixa da cidade, apesar de se situar numa área urbana construída para a produção de peças artesanais e comercialização, o centro tem pouco mais de duas dezenas de vendedores e é um local com pouca clientela em comparação com os mercados situados nas ruas de Lomé. O mercado do “Ranco”, por exemplo, é dos mais movimentados. Ali, uma peça de t-shirt com pano africano é vendida em média a 3000 kwanzas (5000 francos). Os vestidos para senhoras de vários estilos custam pouco menos ou pouco mais do que o referido anteriormente. Ali também são comercializadas bijutarias, bolsas para maquilhagem, pastas para documentos, mochilas, quadros, até calçados para homens, mulheres e crianças. Tudo produzido com tecidos e assessórios africanos.

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