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Plantadores

Agora está na moda os governantes darem uma de ambientalistas. Chamam a imprensa e deixam-se fotografar a plantar uma árvore. O gesto é bom, reflecte preocupação com o futuro, com o ambiente, mas não basta. Há aspectos a que seriam obrigados e que não cumprem.

POR:José Kaliengue

Um deles tem a ver com o respeito pelas árvores autóctones (eu sabia que um dia haveria de usar esta expressão, au tó cto nes). Depois de os nossos “dirigentes- fazendeiros” (quase não há um que não tenha fazenda, embora quase todas improdutivas), bem, depois de se terem posto a importar espécies animais e vegetais sem qualquer cuidado sobre o seu impacto, os estragos possíveis, incluindo doenças, porque os solos e plantas também podem ser infectados, agora põem-se a plantar árvores que muitas vezes nada têm a ver com a região ou com o postal dos sítios. Sim, as cidades tinham uma espécie de identidade vegetal, no Leste, por exemplo, as árvores das cidades eram as mangueiras, sim, de mangas mesmo. Havia vilas com laranjeiras, acácias, pinheiros, etc., havia um rosto floral, e paisagístico, digamos, adequado ao ambiente (clima e solos) e à adaptação de cada espécie. Hoje, cada um planta o que quer, é só ver o número de palmeiras secas e coqueiros nas ruas Cuito, ou no Huambo, que nada têm a ver com o rosto das cidades. Bem, custaram dinheiro, e isso explica muita coisa.

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