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UNITA reclama restos mortais de Jonas Savimbi

Isaias Samakuva afirmou que a verdadeira História de Angola ainda não está escrita e que a que se conta sobre Jonas Savimbi é uma simples mentira

POR: Neusa Filipe

O presidente da UNITA, Isaías Samakuva apelou ao Estado angolano para a libertação dos restos mortais de Jonas Savimbi, líder fundador do maior partido da Oposição em Angola, a fim de se ultrapassar as divisórias ainda existentes e para se construir uma nova atitude perante a Pátria e o futuro. O actual presidente da UNITA falava no último fim-de-semana em Luanda, à margem da celebração do 84º aniversário natalício de Jonas Malheiro Savimbi, comemorado a 03 de Agosto. Na ocasião, Isaías Samakuva engrandeceu os feitos do fundador do partido do “Galo Negro” e referiu que não há razão alguma para que o Estado angolano mantenha Jonas Malheiro Savimbi “preso, mesmo depois de morto”.

O político considerou a “prisão” dos restos mortais de Jonas Savimbi pelas autoridades angolanas como sendo um testemunho gritante da política de exclusão entre irmãos e que simboliza a “rejeição da imperativa e genuína reconciliação nacional”. Na sua opinião, isso significa que a República de Angola ainda luta contra si própria e que os angolanos ainda não são um só povo, uma só Nação. “Quando a verdadeira história for escrita, vocês aprenderão que muitos, tidos como heróis, não foram nada heróis. Uns nunca existiram, outros foram vilões, outros nunca combateram, aproveitaram-se do momento”, disse, Samakuva.

O líder fez um apelo para que sejam ultrapassadas as assimetrias e se construa uma nova Angola e os fundamentos de uma só Nação. Avançou que uma Angola unida e reconciliada será mais forte, mais legítima e mais rica e ainda mais respeitada pela comunidade das Nações, seja na Commonwealth, na Francofonia ou no seio do BRICS. “Permito-me, por isso, apelar ao senhor Presidente da República para capitalizar este momento histórico e potenciar as pontes de diálogo para um novo pacto social que nos conduza a uma efectiva reconciliação nacional”, avançou.

Jonas Savimbi engrandecido pelos seus feitos

A ocasião serviu, de igual modo, para serem relembrados os feitos e aquelas que se consideram verdadeiras causas que levaram ao combate de Jonas Savimbi, também considerado co-fundador da República de Angola, “tendo marcado de forma decisiva e inapagável o curso da história política de Angola e da África Austral”. Isaías Samakuva lembrou que Jonas Savimbi deixou um legado que deve ser estudado e que combateu de forma consistente a corrupção, o peculato e a impunidade. Samakuva considerou ainda que os danos que a guerra causou até 2002, são inferiores àqueles causados pela corrupção e pela má governação, directa e indirecta, seja pelas rupturas dos sistemas de saúde e de educação, bem como pela “desnutrição das crianças devido aos roubos dos governantes e, principalmente, pela destruição do sistema de valores”. Jonas Savimbi foi ainda lembrado como homem que combateu o tribalismo, as assimetrias regionais, a intriga e a indisciplina, a exclusão, a desaculturação dos angolanos e a sua divisão em angolanos de primeira e angolanos de segunda. “O Dr. Savimbi promoveu a descentralização para assegurar a eficiência na administração dos assuntos públicos locais. Organizou as comunidades e do nada construiu unidades territoriais com administração própria, similar às autarquias locais, em todo o território da sua administração”, lembrou Samakuva.

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