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Mulher com sabor

Nos anos noventa do século passado, o cantor falou das mulheres angolanas com sabor a fruta. Umas sabiam a coco, outras a manga, a maracujá, etc., e toda a gente dançou.

POR:José Kaliengue

Era poesia, nada de mais. Era um elogio à doçura natural da mulher angolana. Elas aceitaram, os homens sonharam. Porém, elas decidiram deixar de se imaginar numa kinda colorida e aromatizada de frutas tropicais, preferem antes ver-se estendidas na bancada de um talho, temperadas. Sim falo desta nova e absurda moda do rabo grande a qualquer custo. Depois dos ginásios, as que não têm dinheiro para implantes de silicone, quase sempre no estrangeiro, resolveram “temperar-se” com injecções de caldo de carne como se fossem a seguir ser servidas num banquete. Os custos para a saúde são imensos, exemplos há muitos, mas a moda também tem este seu quê de alienadora dos espíritos. Elas querem ter um rabo grande de galinha no seu sabor, nada a fazer. Os padrões de beleza são escravizadores, ao ponto de desfazerem os da saúde, mas talvez seja esta a altura de os homens (os não caenches artificiais) começaram a dizer que preferem mulheres saudáveis às temperadas. E o aroma da fruta tropical, este, na poesia e na dança, é insubstituível, mas só aí mesmo.

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