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Música acústica domina novo projecto cultural “Duetos N’Avenida”

Duetos N‘Avenida é a designação de um novo projecto cultural, que abraça a música angolana em shows de raiz produzidos em dupla.

POR: Jorge Fernandes

Sob a chancela da Zona Jovem Produções, o novo projecto cultural “Duetos N‘Avenida” foi apresentado ontem em conferência de imprensa, pelo seu mentor, Figueira Ginga, que na primeira temporada vai realizar de Agosto a Dezembro, cinco concertos com dez vozes, na Casa 70, em Luanda. Patrícia Faria e Puto Português, que têm em comum a intimidade com o Semba, formam a primeira dupla, no show de lançamento do “Duetos”, dia 25 de Agosto.

Na sequência, o palco estará sob o comando de Maya Cool e Eduardo Paim a 22 de Setembro, enquanto Gabriel Tchiema e Euclides da Lomba cantam a 26 de Outubro no mesmo Local. Bruna Tatiana e Edmazia Mayembe preenchem o cartaz a 24 de Novembro, ao passo que Yuri da Cunha e Paulo Flores têm a responsabilidade de encerrar a primeira temporada, ainda na Casa 70, no dia 8 de Dezembro. O director da Zona Jovem, Figueira Ginga, explica que, para compor as duplas, convidou músicos que além da elevada qualidade musical, concordassem em produzir um show acústico, novo e feito a “quatro mãos”.“Não serão cinco shows em que cada artista apresentará um fragmento do seu mais recente trabalho e ao final os dois cantarão uma ou duas canções próprias. Na verdade, as apresentações do ‘Duetos’ sairão do zero, de uma produção conjunta com liberdade de criação, podendo inclusive contar com uma obra de um outro músico a ser homenageado”, apontou o responsável.

As escolhas

Ao justificar as escolhas das duplas, Figueira Ginga realçou, por exemplo, que no segundo show da série, haverá uma certa relação de “pai para filho”, no encontro que vai juntar Maya Cool e Eduardo Paim, numa festa envolvente com a “Kizomba”. “Será um encontro de gerações e de uma relação de muita intimidade musical. Maya Cool começou a tocar profissionalmente o teclado acompanhando Paim, que muito lhe ensinou e foi um dos mentores de sua carreira artística. Enfim, será um reencontro histórico”, argumentou. O terceiro show dessa primeira temporada vai simbolizar a junção da preservação da música angolana tradicional, numa vertente moderna, adaptada aos novos tempos (Gabriel Tchiema), com a maturidade na vertente harmonia e composição em músicas intemporais (Euclides da Lomba).

Já as cantoras Bruna Tatiana e Edmazia Mayembe são dois valores da nossa música, em especial de vozes femininas, que se têm notabilizado na vertente Zouk e Kizomba com discos de bastante sucesso. E, por fim, ao juntar Yuri da Cunha e Paulo Flores, a Zona Jovem quer oferecer um encontro inesquecível entre dois dos actuais embaixadores do Semba angolano. “Não foi fácil formar duplas com nomes dessa qualidade. Conciliar as agendas foi um desafio”, admitiu Figueira Ginga. Outro obstáculo já transposto foi o cepticismo de que montar um show de raiz não fosse um bom caminho: “Mas os artistas estão animados com a ideia, porque é um formato que muitos já pensaram mas nunca fizeram. O que há de grandioso nesse tipo de iniciativa é o fazer. E nós faremos”, defendeu.

Projectos

Relativamente a próximos projectos, a “Zona Jovem” planeia seguir com o “Duetos N’Avenida” em 2019, bem como levá-lo a outras regiões da cidade de Luanda, mas ainda estão a ser identificados os melhores e mais estratégicos lugares. Outra ideia, que será posta em prática já nessa primeira temporada, é a realização de apresentações em ambientes empresariais. “Serão shows intimistas e, por isso, adaptáveis a diferentes palcos e plateias”, adiantou o mentor de “Duetos N’Avenida”. De salientar que no ano passado, Figueira Ginga liderou o projecto musical, o “Serenatas à Kianda”, que trouxe ao país os músicos brasileiros Jorge Vercilo e Maria Gadu, que fizeram duplas, respectivamente, com Filipe Mukenga e Gabriel Tchiema. No actual projecto mantém-se o modelo de duplas, mas está reforçada a participação angolana.

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