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Tailandeses detidos pretendiam vender ouro ao BNA

O juiz do Tribunal Supremo a quem coube o processo registado na Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIA P) com o nº 09/18 realizou, recentemente, uma instrução contraditória entre alguns dos 11 arguidos, a pedido do advogado de um deles.

Os cidadãos expatriados envolvidos no mediático caso “Burla à Tailandesa” pretendiam vender passivos em ouro ao Banco Nacional de Angola (BAN), de acordo com a acusação exarada pelo representante do Ministério Público junto da Câmara dos Crimes Comuns do Tribunal Supremo, José Coelho, a 15 de Junho do corrente ano. No documento, a que OPAÍS teve acesso, confirmado como autêntico por um funcionário sénior da Procuradoria-Geral da República (PGR), consta que o suposto investidor tailandês Raveeroj Rithchotaenan, 50 anos, descrito como o mentor do esquema, propôs ao governador do BNA a aquisição de passivo em ouro que supostamente detinha. Embora não especifique o nome do governador, presume-se que seja José de Lima Massano, pois nessa altura já havia sido nomeado pelo Presidente da República para substituir Valter Filipe no cargo.

O governador recebeu os tailandeses na sede do Banco no dia 28 de Novembro do ano passado, que se faziam acompanhar por funcionários da extinta Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), sob orientação de Norberto Garcia, ex-director desta instituição. “O arguido Raveeroj, sem motivo aparente, propôs ao governador do Banco Central a aquisição de passivos em ouro que supostamente detinha, desviando-se do objectivo que estava na base das negociações com a UTIP)”, diz o magistrado, sem especificar qual foi a resposta de José de Lima Massano. Apesar de o juiz do Tribunal Supremo ter realizado recentemente uma instrução contraditória entre alguns dos 11 arguidos, a pedido do advogado de um deles, o processo corre os seus trâmites normais.

Os expatriados que integram esse grupo, nomeadamente, Raveeroj Rithchotaenan (50 anos), Monthita Pribwai (28), Manin Wantchanon (25 anos), Theera Buapeng (29 anos), Pracha Kanyaprasit, Kanphitchaya Kanyaprasit, Watcharinya Techapingwaranukul, de nacionalidade tailandesa, bem como os arguidos André Louis Roy (65 anos), Pierre Rene Tchio Noukekan (canadiano) e o japonês Miyazaki Yasuo (os dois últimos são prófugos), chegaram ao país no dia 27 de Novembro último. Depois de se apresentarem ao então director da UTIP, no mesmo dia, foram hospedados no Hotel Alvalade, tendo sido as despesas com alojamento e alimentação avaliadas em USD 15 mil, que foram custeadas pelo empresário canadiano ligado ao sector de construção civil André Roy. Através de um acordo celebrado com Raveeroj Rithchotaenan, André Roy entregou, posteriormente, USD 30 mil para apoiar as actividades da organização no nosso país.

Em troca dessa quantia, que funcionaria como uma aplicação financeira milionária, de acordo com o documento, receberia USD 12 milhões no primeiro ano, 18 milhões no segundo ano, 24 milhões no terceiro ano, 30 milhões no quarto ano e USD 36 milhões no quinto ano. O procurador também não especifica como tal montante haveria de multiplicar-se. Além dos expatriados, este processo tem ainda como arguidos o antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, Geraldo Sachipengo Nunda, Norberto Garcia e o general José Arsénio Manuel, que se encontram em liberdade. Além destes, estão arrolados no processo os cidadãos nacionais Celeste Marcelino de Brito António (45 anos) e Christian Albano de Lemos (49 anos), ambos detidos. O vice-procurador-geral da República, Mota Liz, garantiu ontem, em entrevista à RNA, que o Ministério Público vai manter a acusação e vão esperar que o juiz da causa se pronuncie.

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