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“Burla à tailandesa” leva Panda, Mário Palhares e Gil Famoso ao tribunal

Mário Abílio Palhares, banqueiro, Gil Famoso da Silva, director do Serviço de Migração e Estrangeiros, e Alfredo Eduardo Mingas “Panda”, antigo comandante-geral da Polícia Nacional, estão entre os 34 cidadãos arrolados no mediático caso “Burla à Tailandesa” para irem depor em Tribunal na condição de declarantes.

O Presidente do Conselho de Administração do Banco de Negócios Internacional (BNI), Mário Palhares, foi arrolado por ter mantido um encontro com o grupo de indivíduos, entre tailandeses, angolanos, canadianos e um japonês, acusados de tentarem burlar em 50 mil milhões de dólares o Estado angolano, de acordo com o documento exarado pelo representante do Ministério Público junto do Tribunal Supremo, José Coelho. Na ocasião, o grupo, liderado por Raveeroj Rithchotaenan (tailandês), acompanhado pela empresária e pastora Celeste de Brito (angolana), pretendia abrir uma conta bancária nesse banco em nome da empresa Centennial Energy-Comercio e Prestação de Serviço que estava em vias de legalização.

“No dia 6 de Dezembro último, levando apenas o Número de Identificação Fiscal (NIF) e Certificado de Admissibilidade (emitido pelo Guiché Único de Empresa) procedeu- se à abertura da conta desta empresa, tendo o grupo entregue o cheque no valor de 50 mil milhões de dólares”, lê-se na acusação. Para aferir a validade, a direcção do BNI efectuou diligências junto do Banco Central das Filipinas, emissora do cheque, por via do qual obteve a informação de que o mesmo não era autêntico, razão por que a transacção não era reconhecida. O Ministério Público acusa Raveeroj Rithchotaenan de, em conluio com os demais arguidos tailandeses e o prófugo Pierre Rene, de terem forjado o referido cheque, datado de 24 de Novembro de 2017, antes de entrarem no território nacional. Diz que era prática dos arguidos tailandeses produzirem documentos com aparência de autênticos, no quarto do hotel Epic Sana, onde se encontravam hospedados. “Assinavam e colocavam vinhetas, carimbos e selo branco como se de entidades idóneas se tratasse”, afirma.

Como prova disso, citou que a Polícia apreendeu dos arguidos outro cheque com o valor de 99 biliões de dólares, sem especificar qual é o banco “emissor”. O director do Serviço de Migração e Estrangeiro, Gil Famoso da Silva, vai ajudar a esclarecer ao tribunal como foi possível os seis arguidos estrangeiros terem obtido o visto de trabalho sem reunirem os requisitos legalmente estabelecidos. No entender do Ministério Público, os presumíveis burladores conseguiram marcar uma audiência com o comissário-chefe por via do arguido Cristian Albano de Lemos, efectivo da Polícia Nacional que trabalhava para eles como tradutor e segurança, sem qualquer autorização dos seus superiores hierárquicos. Terá sido também por intermédio de Cristian de Lemos que o então comandante-geral Alfredo Eduardo Mingas “Panga” tomou conhecimento de que o referido grupo de presumíveis investidores se encontrava em Angola, tendo-os, nesta condição, recebido, também em audiência. Além deles, o representante do Ministério Público junto da Câmara de Crimes Comuns do Tribunal Supremo, José Coelho, arrolou, na condição de declarante, o comissário- chefe da Polícia Nacional José Alfredo Chingango.

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