loader

Conselho de Segurança pede investigação confiável sobre ataque no Iémen

O Conselho de segurança da ONU pediu nesta Sexta-feira (10) uma investigação confiável e transparente depois de pelo menos 29 crianças morrerem num bombardeamento da coaligação liderada pela Arábia Saudita, que atingiu um autocarro na cidade de Dhayan.

A cidade continuava muito abalada e no local do ataque – na Quinta-feira – ainda era possível ver restos humanos e objectos pessoais das crianças, de menos de 15 anos, informou um jornalista da AFP no local. Um hospital que tem o apoio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) cuida de 48 feridos, entre eles 30 crianças. “Ainda há restos mortais por toda a parte, estamos a tentar confirmar as identidades dos mortos”, disse à AFP Tahya Shahem, autoridade do Ministério da Saúde na região de Saada, Norte do Iêmen. Os funerais serão “mais tarde”, acrescentou. No momento do ataque, o autocarro estava num frequentado mercado de Dahyan, uma zona no Norte do Iémen controlada pelos rebeldes huthis, segundo o CICV.

A coaligação militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém desde 2015 contra os rebeldes, anunciou que vai abrir uma investigação sobre o ataque aéreo, depois de reconhecer ter lançado um bombardeamento nessa área, mas garantiu que visava um autocarro no qual viajavam “combatentes huthis”. A embaixadora britânica, Karen Pierce, que ocupa a presidência do Conselho de Segurança da ONU, disse a jornalistas após uma reunião à porta fechada sobre o Iémen, que “se alguma investigação que se realize não for credível, o Conselho obviamente vai querer revisá-la”.

O Conselho não ordenou uma investigação em separado, mas “agora fará consultas com a ONU e outros, sobre a melhor forma de conduzir a investigação”, disse Pierce. Os membros do conselho também expressaram a sua “grande preocupação e pediram uma investigação confiável e transparente”, afirmou a embaixadora britânica. A reunião foi solicitada pela Bolívia, Holanda, Peru, Polónia e Suécia, que são membros não permanentes do Conselho. O Kuwait, que também é membro não permanente, integra a coaligação saudita que luta contra os rebeldes huthis.

Os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, três dos membros permanentes do Conselho, apoiam a coaligação saudita na sua campanha contra os rebeldes huthis no Iémen, mas expressaram a sua preocupação com o alto número de vítimas civis. “Vimos as imagens das crianças que morreram”, disse à imprensa a vice-embaixadora da Holanda, Lise Gregoire-van Haaren. “É essencial neste momento uma investigação confiável e independente”, acrescentou. O Conselho não especificou se no acordo de declaração para a imprensa a investigação deveria ser independente, uma exigência expressa na Quinta-feira pelo secretário- geral da ONU, António Guterres, que também pediu uma investigação “rápida”. A ONG de defesa dos direitos humanos, Human Rights Watch, criticou que o Conselho não tenha exigido uma investigação imparcial. “A triste realidade é que se deu aos sauditas a oportunidade de se investigarem a si próprios e os resultados são ridículos”, afirmou a vice-directora da HRW para a ONU, Akshaya Kumar.

Últimas Notícias