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O lado B

Se estiveres num jardim lindo, com relva e plantas viçosas, fl ores de várias cores, pássaros alegres, abelhas felizes e fontes de água límpida e fresca e não quiseres ver um sardão ou uma cobra, desfruta o jardim como está e não te ponhas a levantar e a revirar as pedras do local.

POR: José Kaliengue

A não ser que seja tua função limpá-las e que tenhas a segurança de a cumprires como deve ser. Com a governação é a mesma coisa, tens paz social, apoio, hossanas, até ao dia em que, querendo melhorar as coisas para a maioria, alguém se sinta tocado nos seus interesses ou mesmo na sua sobrevivência. As políticas públicas podem ser maravilhosas, aclamadas, mas pressupõem sempre pequenos dramas na vida dos governados. Por isso, os governantes devem saber decidir, calcular, esperar pela reacção e, como se diz, aguentar o barulho. As boas intenções apenas não bastam. Mas, sobretudo, é preciso saber acautelar os dramas, para que que não nos venham bater a porta. O Estado encerrou o mercado “informal” da Mabunda para a venda do peixe, como forma de conter o surto de cólera. Provocou a cólera de quem sobrevivia daquele mercado. O Estado não acautelou o dia seguinte de centenas, ou mesmo de milhares de pessoas que viviam da Mabunda. Restou a prostituição e a delinquência em consequência do desemprego. E são pessoas adultas, sem instrução, sem qualificações, mas com famílias e dependentes. Estes estão no lado B da governação.

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