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Ancião morto supostamente pelo filho e neto

Dois cidadãos, pai e filho, estão a ser acusado de terem espancado até à morte um ancião de 76 anos de idade, na localidade das Cabanas, comuna do Dongo, município da Jamba.

POR: João Katombela, na Huíla

A vítima, pai e avó dos acusados, já havia sido espancada pelos seus descendentes nos dias 11 de Março (do ano passado) e 31 de Julho (deste ano), por acreditarem piamente de que o mesmo estivesse envolvido em práticas de feitiçaria. De acordo com as autoridades policiais, o ancião foi encontrado carbonizado no dia 2 de Agosto, na sua lavra. “O corpo do homem de 76 anos foi encontrado dois dias depois pelos moradores das redondezas da lavra já num avançado estado de putrefação. Razão pela qual, enterraram- no aqui, neste local”, declarou. A culpa da morte, segundo o director do Gabinete de Comunicação e Imprensa Institucional do Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, superintendente Carlos Alberto, está a ser imputada ao neto da vítima.

“A Polícia tomou conhecimento dia 4 e deslocou-se a até ao local, onde constatou a ocorrência e que a vítima não tinha qualquer documento que o identificasse”, declarou. No entanto, diligências feitas pela Polícia Nacional e pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) permitiram localizar um homem de 26 anos de idade que provavelmente terá cometido esse crime. Carlos Alberto acrescentou ainda que o suspeito, por sinal neto da vítima, terá cometido o suposto homicídio com ajuda do seu pai, que se encontra em parte incerta. Entretanto, Mário Kangombe, que já se encontra detido numa das cadeias da cidade do Lubango, nega ter morto o seu avô, porém, disse tê-lo agredido com a ajuda do seu pai. “Eu não matei o meu avô, nós apenas lhe batemos no dia 11 de Março do ano passado. Batemos-lhe com porrinho nas costas.

Batemos, eu e o meu pai, mas não o matamos”, explicou o jovem, que se encontra agora sob custódia da Polícia. Questionado sobre os motivos da agressão ao ancião de 76 anos de idade, Mário respondeu que o seu avô era feiticeiro e que tinha morto o seu filho e a sua irmã no ano passado. “Ele era feiticeiro. Já matou o meu filho e a minha irmã. Ele sempre dizia que tinha de matar as crianças para viver mais tempo. Tudo o que ele prometia acontecia, por isso lhe batemos”, afirmou, como forma de justificar o crime que lhe está a ser imputado. Fernando Ngongo, um dos anciões que encontrou o corpo já em decomposição, disse à imprensa que casos de feitiçaria existem naquela localidade e têm sido resolvido pelas autoridades tradicionais.

“Quando se prova que alguém é mesmo feiticeiro, como o acusam, o soba ordena a sua expulsão da aldeia e paga uma multa para a família que sofreu com as suas acções. Nunca se pode partir logo para a agressão física, muito menos matar a pessoa acusada. Estamos todos chocados”, frisou. O corpo da vítima foi exumado na Sexta-feira (08) na presença de um médico legista, que realizou a autópsia para apurar as reais causas da morte. Depois da exumação, os restos mortais foram transportados para o cemitério da sede comunal para o enterro digno.

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