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Malianos elegem Presidente sob tensão, mas sem surpresa

O Presidente maliano em final de mandato, Ibrahim Boubacar Keita enfrentou Soumaila Cissé, neste Domingo, na segunda volta da eleição presidencial no Mali.

Os malianos foram às urnas para eleger o seu Presidente, neste Domingo (12), sob um forte esquema de segurança, numa segunda volta que não despertou grandes paixões, diante da já prevista vitória do chefe de Estado que disputou a reeleição, Ibrahim Boubacar Keita. “Esperamos que o novo Presidente faça melhor e saiba corrigir os seus erros”, comentou o aposentado El Hajd Aliu Sow, que não quis revelar à France o candidato escolhido por si Presse. Ele foi votar logo cedo, numa secção eleitoral no centro da capital, Bamako. Mais de oito milhões de eleitores foram convocados a comparecer a um dos 23.000 colégios eleitorais do Mali. Os postos ficaram abertos das 8h à 18h, neste imenso país do Sahel, que ainda enfrenta a ameaça extremista após cinco anos de intervenções militares internacionais.

Os resultados devem começar a ser divulgados dentro de quatro, ou cinco, dias. Antes do início da votação, na madrugada deste Domingo, a campanha do opositor Soumaila Cissé denunciou que estava a ser preparada uma fraude eleitoral. “Há três dias que sabemos que as cédulas de voto circulam pelo país”, declarou à AFP o chefe de campanha de Cissé, Tiebilé Dramé. “Essas cédulas deveriam estar lacradas e deveriam ser abertas apenas na presença de assessores, delegados e pessoas ligadas aos candidatos”, acrescentou. A tensão já se havia acentuado no Sábado, quando os serviços de Inteligência prenderam três homens de um comando, classificado de “grupo terrorista”, no momento em que “planeavam ataques dirigidos a Bamako durante o fim de semana”.

Não se detalhou a natureza desses ataques, mas os três são suspeitos de serem os autores de um assalto a pedestres que deixou três mortos em Outubro de 2016, a cerca de 30 quilómetros de Bamako. O ganhador desta eleição assume no início de Setembro e enfrentará a dura tarefa de relançar o acordo de paz assinado em 2015 entre o Governo e a antiga rebelião de maioria tuaregue. O acordo ainda não entrou em vigor. O pacto foi firmado após a intervenção do Exército francês que, em 2013, retomou o controlo do Norte do país, onde os extremistas instauraram a sharia por um ano. Na primeira volta, a 29 de Julho, 871 colégios eleitorais (mais de 3%) permaneceram fechados por causa da violência, sobretudo, no centro e no Norte do país. Cerca de 250.000 pessoas não conseguiram votar.Grande favorito para conseguir um segundo mandato, Keita, de 73 anos, obteve 41,70% dos votos na primeira volta, contra os 17,78 % do seu opositor, Soumaila Cissé, um ex-ministro das Finanças de 68 anos que não conseguiu unir a Oposição entre as duas voltas.

Segurança reforçada

Foram mobilizados cerca de 36.000 militares, 6.000 a mais do que no primeiro turno, para “reforçar” a democracia e “dar credibilidade ao processo, por meio de uma participação maciça da população”, afirmou Umar Culibaly, assessor do primeiro-ministro Sumeylu Bubeye Maiga. O Exército maliano tem o apoio dos Capacetes Azuis da ONU, das forças francesas da Operação Barkhane e, no Norte, onde o Estado se encontra pouco presente, ou está ausente, por grupos signatários do acordo de paz. A UE enviou observadores e pediu que se garanta o acesso de todos os eleitores aos locais de votação.

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