loader

Provérbios em kimbundu apresentados aos leitores em Malanje

O livro com 167 páginas contém provérbios em Kimbundu traduzidos para português, derivados na tradição oral

POR: Miguel José, em Malanje

“Duas Impressões Digitais” é título da obra literária de co-autoria dos escritores Agostinho Pedro “Manguxi” e Pedro Agostinho, apresentada recentemente, no auditório da Biblioteca Provincial de Malanje, pelo crítico literário, Gabriel Boaventura . O livro com 167 páginas contém provérbios em Kimbundu traduzidos para português, derivados da tradição oral. Na sua apresentação, o crítico literário, Gabriel Boaventura, considerou a obra “pequena em volume e espessura”, porém rica e transcendental em conteúdo e impacto, em razão da necessidade de se preservar a cultura angolana, sob pena de perder a sua originalidade e com ela a verdadeira identidade.

“O que podem ser simples provérbios, na verdade são uma espécie de parábolas cuja descodificação não se consegue apenas com a sua tradução, mas com um profundo sentido de interpretação, muito raro nos nossos dias”, sublinhou. Segundo Gabriel Boaventura, a compilação de 150 provérbios resultou de contactos com fontes orais, as quais, com certeza, sentiram a sua valorização pelo grande manancial de conhecimentos de que são portadores e que através da obra se abrem à perspectiva da sua divulgação e internacionalização, facto que constitui um dos desafios da governação.

Assim, sugeriu que a sociedade malanjina, os professores e directores da rede escolar local, particularmente os que leccionam a língua portuguesa, a usarem a obra “Duas Impressões Digitais”, como um meio de ensino auxiliar aos manuais existentes e como uma forma de promoverem a cultura nacional. “Dado o valor e o significado que a obra encerra, recomendo não apenas a sua leitura, mas o seu estudo de maneira formal e dirigida”, sugeriu. Referiu, porém, que o facto de pai e filho se terem juntado num projecto literário que se propõe uma contribuição para o resgate dessa originalidade, a obra “Duas Impressões Digitais” não possui capítulos nem requer uma ordem lógica para a sua leitura. Por isso, sublinhou que ‘os provérbios são originais’ que mesmo bem traduzidos requerem uma interpretação “original porquanto os provérbios são a nossa cultura. Mas a originalidade só se perpetua quando os homens se empenham em ser ao mesmo tempo, pais e homens da cultura”, frisou.

Resgate dos valores culturais

Por sua vez, o co-autor da obra Agostinho Pedro “Manguxi” (filho de Pedro Agostinho) natural de Malanje e actualmente residente nos Estados Unidos da América, alegou que a sua escrita decorre da intenção de colocá-la à disposição das pessoas interessadas em falar a língua nacional Kimbundu e, simultaneamente, para aquelas que querem saber um pouco mais da cultura dos povos da etnia Ndongo. Porém, considera que o resgate dos valores culturais constitui uma grande luta e o livro acaba de trazer um dos grandes pilares da língua Kimbundu. “Manguxi” defende que a língua deve ser resgatada de várias formas, sendo a forma escrita a mais privilegiada, e que a co-autoria da obra chega em bom momento, porque o mestre (seu pai) procedeu a uma grande consulta junto de bibliotecas vivas.

“Embora contenha 150 provérbios apenas, a obra reúne os nossos valores culturais de forma bem pensada e muito resumida”, sintetizou. Aproveitou o ensejo para enfatizar aos leitores que mais do que comprar os livros, o importante é interpretar o que o mesmo pretende transmitir e, também, partilhá-los com aqueles que com o mesmo não têm acesso. Com idades completamente diferentes, o mais velho Pedro Agostinho, de 70 anos, contribuiu para aquilo que são os provérbios e o jovem Agostinho Pedro empreendeu na sua tradução para a língua portuguesa. No entanto, o livro lançado, em primeira mão, no mês de Julho deste ano, na cidade de Luanda, comporta 169 páginas, contém 150 provérbios em língua Kimbundu traduzidos para português, sob impressão gráfica da Kwanza Editora.

Últimas Notícias