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Antigos combatentes da FNLA defendem promoção de Holden Roberto a general do exército

A título póstumo, a ideia foi defendida numa romagem ao seu túmulo, em Mbanza Kongo, por ocasião de mais um aniversário da sua morte, assinalada a 2 de Agosto.

Membros da Associação dos Antigos Combatentes (AAC/ FNLA) renderam uma singela homenagem ontem, em Mbanza Kongo(Zaire), ao seu antigo comandante, Holden Roberto, com a deposição de uma corôa de flores no seu túmulo, no Cemitério dos Reis nessa cidade. A homenagem enquadra-se na comemoração de mais um aniversário da sua morte, por doença, ocorrida a 2 de Agosto de 2007, em Luanda, e também em alusão ao 56º aniversário da fundação do Exército de Libertação Nacional de Angola(ELNA), antigo braço armado da UPA/FNLA, de que Holden Roberto foi comandante.

O presidente da Associação dos Antigos Combatentes da FNLA, Lino Ucaca, em declarações a OPAÍS, a partir de Mbanza Kongo, informou que este antigo exército de libertação nacional, celebra amanhã, Quinta-feira, 16, mais um aniversário da sua existência, daí a realização desta dupla actividade na terra onde nasceu e estão sepultados os restos mortais de Holden Roberto. Segundo Lino Ucaca, o ELNA foi o primeiro exército angolano a ser fundado entre os três movimentos de libertação nacional(FNLA, MPLA e UNITA), e teve um papel fundamental na luta contra o colonialismo português no Norte de Angola.

Construção de sarcófago

Em conversa com este jornal, o responsável reiterou a intenção da instituição que dirige construir um monumento no interior do Cemitério dos Reis, em homenagem à sua memória. Entretanto, a edificação deste monumento está condicionada à obtenção de dinheiro, através de contribuições dos militantes, simpatizantes, empresários e amigos da FNLA, bem como de todos os patriotas angolanos, segundo Lino Ucaca.

Elevação de Holden Roberto ao grau de general

Lino Ucaca apelou ao Presidente da República, João Lourenço, para promover Holden Roberto, a título póstumo, ao grau de general do exército, em reconhecimento aos seus feitos enquanto combatente pela liberdade, nacionalista angolano e fundador da FNLA. “Temos plena certeza de que o Presidente da República, enquanto Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas, vai reflectir seriamente sobre este apelo”, declarou a fonte. Em seu entender, apesar das divergências ideológicas entre os três movimentos da luta de libertação nacional, defendeu a necessidade de reconhecer e enaltecer a contribuição das figuras que estiveram no topo da luta até à conquista da Independência. Na estadia em Mbanza Kongo, a delegação por si di-rigida manteve um encontro de cortesia com o governador provincial do Zaire, José Joanes André.

Partido dividido

Esta força política histórica continua dividida por uma crise de liderança. Após insucessos nas diversas tentativas de reconciliação interna, em Junho deste ano dois congressos foram realizados. O primeiro foi organizado pela direcção do partido, liderada por Lucas Ngonda, e o segundo por um grupo de membros do Comité Central, liderado por Ndonda Nzinga e Laiz Eduardo, em que foi eleito Fernando Pedro Gomes. Este último “episódio” aguarda por homologação do Tribunal Constitucional (TC) para, após à realização desses conclaves, decidir a liderança legítima desta força política.

A origem da crise

Primeiro, foi Lucas Ngonda que, congregando um punhado de militantes denominados reformistas, realizou um Congresso em 2005, nas instalações do Futungo II, em Luanda, durante o qual foi eleito por aclamação. Esse acto foi considerado pelos prosélitos do seu “rival” Kabangu como tendo a mão invisível do MPLA, que teria, alegadamente, apoiado Ngonda com dinheiro e outros meios, transformando esta força política num apêndice seu. Volvidos dois anos, com a morte de Holden Roberto de quem foi um delfim de gema, Ngola Kabangu não quis deixar os seus créditos em mãos alheias. Não reconhecendo autoridade em Ngonda na liderança do partido, realizou um outro congesso, que foi mais democrático e no qual derrotou os outros dois concorrentes, Miguel Damião e Carlinhos Zassala, com uma larga vantagem de votos expressos nas urnas, um acto pela comissão eleitoral considerado livre, transparente e justo. Este reconhecimento levouo a concorrer às eleições de 2008, em detrimento de Ngonda, que foi rejeitado por incongruências na documentação apresentada ao Tribunal Constitucional (TC). Volta e meia, Zassala que tinha sido derrotado copiosamente por Kabangu, inconformado com a decisão do Congresso, fez um recurso ao TC para impugnar o resultado das eleições que colocariam Ngola Kabangu na liderança da FNLA, do qual obteve uma resposta do Plenário dos juízes conselheiros que anularam o consulado do vencedor, através do acórdão número 110.

 

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