É prematuro entrar no BRICS

Angola é um país com responsabilidades acrescidas nos vários espaços onde comunga internacionalmente. Foi feito até então uma diplomacia eminentemente política num mundo que, há 60 anos, é dirigido mais do ponto de vista económico e financeiro do que político-partidário.

POR: Olívio Nkilumbo

A diplomacia é uma actividade bastante cara principalmente para países com um historial de guerra, onde os lobbys eram feitos para manchar e limpar imagens, visando ganhar simpatia e confiança de actores de peso mundial. Somos dos países africanos que mais dinheiro gastou e gasta em lobbys, visando legitimar acções internas e manutenção do poder da classe detentora do aparelho executivo do Estado. O novo chefe do executivo intensificou e melhorou em tão pouco tempo a diplomacia do país firmando a sua existência nas organizações internacionais tradicionais, bem como demonstrando vontade de integrar a novos espaços de valor económico, político e cultural. Será que precisamos de estar em todos lugares ao mesmo tempo? Que ganhos directos, específicos e significativos virão? Julgo ser já hora de influenciar agendas e deixar de ser apenas mais um…

BRICS

Representam 42 % da população mundial, no caso (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul. É desejo antigo e uma narrativa presente entre 2009 e 2014 em Angola ser membro, julgo que, por causa do crescimento econó mico registado na época, levara alguns especialistas a tentar influenciar o ex-PR a entrar neste grupo de potências económicas com as quais possui relações profundas nos vários momentos da sua história. Angola não precisa de entrar no grupo dos BRICS que, compreende os cinco países tidos como emergentes, mas que são potências de facto se tivermos em linha de conta que a China, segunda maior economia do mundo depois dos EUA, é ainda o segundo maior em gastos militares logo não é emergente, mas sim uma verdadeira potência. Nesta décima reunião da cúpula, o novo Chefe do Executivo angolano elogiou o grupo, num discurso em que frisou a vontade de integrá-lo. Julgamos legitima essa vontade, mas prematura e equivocada, porque temos diversos desafios internos. Desde os básicos aos mais complexos. Precisamos antes e sobretudo arrumar a nossa casa (garantir o básico às nossas populações), segundo a teoria de que política externa é a continuidade da política interna dos Estados, logo precisamos do apoio (dinheiro) vindo do Novo Banco de Desenvolvimenrto – NBD, o conhecido banco dos BRIC’S, para infraestruturar o país, lançar e montar a pequena a grande indústria, melhorar o ambiente de negócios, reforçar as instituições, intensificar a luta contra a corrupção e dar um fim palpável à impunidade. Precisamos de melhorar significativamente o exercício da cidadania, ver a democracia para além da mera realização periódica de eleições, dar passos decisivos contra a extrema pobreza, melhorando significativamente a vida dos angolanos, entre outras obrigações de extrema importância, para que Angola vá aos BRIC’S e seja capaz de influenciar na agenda desta grande instituição que surge como uma rede de segurança financeira oposta ao conhecido triângulo económico mundial composto pelos EUA, UE e Reino Unido. É preciso que Angola deixe de ser um mero participante e ou simples membro das organizações, e comece a influenciar agendas, usando os seus melhores quadros, visando a sua exposição e projecção nos espaços onde está inserida como Estado Director, e passe a ser verdadeiramente um facilitador. E que use todo nosso capital composto por aqueles elementos tidos como verdadeiros factores de poder, nomeadamente os recursos minerais energéticos altamente estratégicos, posição geográfica, extensão territorial, poder político, militar, entre outros. Os capitais acima mencionados devem começar a ser utilizados para se projectar e capitalizar internacionalmente no âmbito da tão propalada diplomacia económica. De salientar que dentro do nosso entendimento seriam certos e fortes candidatos a membros dos BRICS, países como o Rwanda, Marrocos, Turkya, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Azerbaijão, Malásia e mais alguns poucos com capacidade de melhorar a balança económica e influenciar a agenda da cúpula.