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Já nem para amar…

Oferecemos flores para as pessoas que amamos (não é só namoro) como sinal de gratidão, ou mesmo para pedirmos desculpas.

POR: José Kaliengue

Sim, também é muito agradável ter flores em casa ou no escritório. As verdadeiras, não as do poluente plástico que andam por aí aos montes e demonstrativas do mau-gosto de muita gente. Temos até pessoas empenhadas na produção de flores no país, no Huambo e no Cuanza-Sul, com os problemas de escoamento já normais e que matam a economia. Não é como na Etiópia, Quénia ou Colômbia, de onde partem aviões todos os dias apenas com flores para a Europa. As flores são também uma parte da economia que pode movimentar muito dinheiro, há mercados das flores em toda a parte do mundo civilizado. Mas nós preferimos as importadas, caras. E também gostamos de mandar. Ter poder é mesmo mandar, só que muitas vezes usámo-lo mal. Em, Luanda, a administração da Ingombota resolveu mostrar que manda e desalojou o mercadito das flores que funcionava num largo perto do Largo da Independência. Não há lugar alternativo, como sempre, e mais pessoas perdem uma forma de ganhar o seu pão. Aos clientes, bem, há a alternativa das flores de plástico, que é assim que o Estado gosta. E ainda dizem que o amor anda pelas ruas da amargura! Vi de raspão a justificação na televisão para a medida, o rosto que a defendia era de um jovem, não entendi nada. Muito menos que os jovens manuseiem tão mal o conceito poder nos nossos dias. Era só uma questão de ter um lugar alternativo, embelezar o espaço, organizar e publicitar. E o amor é tão mais lindo com flores…

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