Óbito :Aretha Franklin Rainha da Soul, voz gloriosa da América, morre aos 76 anos

Vencedora de 18 prémios Grammy, Aretha deixou um legado assombroso na música. Foi a primeira mulher a entrar no Rock and Roll Hall of Fame, lista de referência que reconhece os mais notáveis intervenientes da história da música americana, e vendeu acima de 75 milhões de discos.

Morreu esta Quinta-feira, 16, aos 76 anos, a cantora, compositora e pianista norte-americana, Aretha Franklin. As causas da morte ainda não são conhecidas. Sabe-se apenas, que em 2010 surgiram rumores, substantivos mas nunca confirmados, de que Aretha Franklin sofria de cancro no pâncreas. Um ano depois, a cantora assumiu ter sido submetida a uma cirurgia “complicada”, sem nunca revelar a doença de que padecia. À revista The New Yorker, “amigos” da cantora revelaram que Aretha Franklin nunca admitiria sofrer de cancro, mesmo que os rumores fossem verdadeiros.

“Nem no seu leito de morte”. Vencedora de 18 prémios Grammy, Aretha deixou um legado assombroso na música. Foi a primeira mulher a entrar no Rock and Roll Hall of Fame, lista de referência que reconhece os mais notáveis intervenientes da história da música americana, e vendeu mais de 75 milhões de discos. A revelação atesta na perfeição o carácter da cantora. Mulher afirmativa, que transformava as muitas inseguranças pessoais em posições de força (segundo os mais críticos, era igualmente célere a transformar dor em ira), Aretha Franklin mostrou-se sempre reticente a expor vulnerabilidades em público. Foi a estratégia de defesa possível para sobreviver numa indústria musical e numa sociedade norte-americana dominadas por homens e executivos brancos, um sector em que ser mulher negra exigia uma identidade forte. Tanto Aretha defendeu-se que grande parte das dificuldades por que passou e das más experiências que a marcaram ao longo das mais de seis décadas de carreira tornaram- se públicas sobretudo através de relatos de quem lhe era próximo.

O jornalista e produtor musical Jerry Wexler, que esteve muito próximo da cantora nos anos 1960 e que contribuiu para a sua ascensão na indústria musical enquanto produtor discográfico, descreveu- a assim: Penso na Aretha como a Nossa Senhora das Mágoas Misteriosas. Os seus olhos, incríveis e luminosos, escondem uma dor inexplicável. As depressões dela podiam ser tão profundas quanto o mar negro. Não finjo conhecer as fontes das suas angústias, mas elas cercavam a Aretha de forma tão forte quanto a glória da sua aura musical.” A forma como Aretha Franklin tentou moldar a sua imagem pública é visível em duas biografias que sobre ela foram escritas. A primeira, oficial, foi escrita pelo escritor e biógrafo David Ritz e publicada em 1999. Tinha como título Aretha: “From These Roots”. Ritz, contudo, viria a escrever um novo livro sobre a cantora, uma biografia não autorizada chamada “Respect: The Life of Aretha Franklin”, que causou polémica.