literatura: Livro de Jorge Carlos Fonseca entre 60 seleccionados para a semi-final do prémio Oceanos

Para o prémio 2018, concorreram 1364 obras entre romance, poesia, contos e teatro. Deste número, foram seleccionados 60 livros, o que representa apenas cerca de 4% dos concorrentes.

“O Albergue Espanhol” o mais recente trabalho literário do escritor e Presidente da República de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, está entre 60 seleccionados para a semi- final do prémio Oceanos, considerado um dos principais troféus literários da Língua Portuguesa à semelhança do Prémio Camões A lista divulgada Sexta-feira, pelo Jornal Folha de São Paulo, alude que nesta edição em que é aceite a participação dos autores de língua portuguesa de qualquer país do mundo, há um equilíbrio entre os brasileiros e autores de outras nacionalidades, como portuguesa, cabo-verdiana e moçambicana.

Para o prémio 2018, concorreram 1364 obras entre romance, poesia, contos e teatro. Deste número, foram seleccionados 60 livros, o que representa apenas cerca de 4% dos concorrentes. O livro “O Albergue Espanhol” é o terceiro de Jorge Carlos Fonseca, constituído de textos híbridos e fluídos, e desafia todos quantos defendem esgotado o género romanesco. A obra centra-se, sobretudo, na procura incessante por uma ficção de longo alcance, onde a descontinuidade vence a linearidade dos descritivos, ora em prosa, ora em verso.

A história, que se compõe de estórias, tem amparo de remissivas intertextuais, de notas de rodapé e doutras sinalizações de escrita ensaística. Há ainda neste livro referências sinfónicas de quase toda a literatura universal (da clássica à contemporânea). De todo, um sabor cabo-verdiano que não se recusa (nalguns cenários, tramas e personagens) em portar uma cosmovisão, fio de Ariadne com o que o autor encaminha o leitor para fora do labirinto. Participaram também autores não lusófonos, mas que escrevem em português.

De entre as 60 obras seleccionadas além de “O Albergue Espanhol”, do escritor e Chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, cuja participação no concurso foi uma iniciativa da editora Rosa de Porcelana, consta também a de Milton Hatoum, com “A Noite da Espera”, “Anjo Nocturno” de Sérgio Sant’Anna, “Como se me Fumasse”, de Marcelo Mirisola, “Noite Dentro da Noite” de Joca Reiners Terron e “Câmera Lenta”, de Marília Garcia, entre outras. Segundo informações publicadas no site do concurso “O Albergue Espanhol”, de Jorge Carlos Fonseca, é a única das 11 obras apresentadas por escritores caboverdianos e uma das cinco vindas de escritores africanos, num total de 37 concorrentes. Para Jorge Carlos Fonseca, “é uma enorme satisfação” ser seleccionado por júri especializado integrado por críticos literários, professores de literatura e investigadores, sobretudo do Brasil, de Portugal, para um leque restrito de escritores.