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Fracassada manifestação contra o líder da FNLA

Organizada por um grupo de militantes desta força política, no Sábado, 18, a concentração pretendia forçar a demissão do seu líder, Lucas Ngonda, acusando-o de má gestão e violação dos estatutos do partido.

A aludida manifestação pacífica foi marcada por um elevado grau de absentismo, tendo participado apenas 20 militantes, contra os mais de 500 anunciados por Jorge Simeão, o seu mentor. Apesar deste exíguo número, os militantes marcharam do Largo do Soweto, no bairro da Vila Alice, até à sede nacional do partido, nas imediações do Complexo Desportivo do Petro de Luanda, no Bairro Popular. Este “grupinho” exibia cartazes que apelavam à destituição do presidente do partido, que vem sendo acusado de mau dirigismo, violação dos estatutos do partido, nepotismo, regionalismo, desvio de fundos e de património do partido. Sobre a fraca participação dos militantes, Jorge Simeão informou a O PAÍS que, apesar de não ter conseguido reunir o número anunciado, o mais importante foi ter feito o que se pretendia, acrescentando que esta iniciativa não pára por aqui.

“Nós não vamos arredar o pé até que o senhor Lucas Ngonda abandone a liderança do partido”, afirmou, avançando que Ngonda tem os dias contados na liderança da FNLA, à qual ascendeu em Julho de 2010, eleito num “Congresso conturbado”, após o afastamento compulsivo de Ngola Kabangu, eleito num congresso mais democrático, tendo seguidamente dirigido o partido entre 2006 e 2008. Apontou o mau tempo que se fez sentir em Luanda nas primeiras horas de Sábado como tendo influenciado a ausência de muitos militantes que participariam na referida manifestação. Jorge Simeão informou ainda que a próxima manifestação poderá ser bem sucedida, porque contará com a participação de mais militantes, simpatizantes e amigos do partido, sobretudo jovens, que vivem na província de Luanda. A mesma será realizada já nos próximos dias e com o mesmo propósito, que é o de pressionar o líder do partido a abdicar da presidência desta tradicional força política de libertação nacional.

Ngonda minimiza contestatários

Contactado por OPAÍS, o presidente da FNLA minimizou os promotores desta manifestação, a quem acusou de pretenderem assaltar a liderança do partido para fins inconfessos. Disse que o conflito no seio do partido que dirige resulta da “ambição desmedida, desonestidade intelectual e ingratidão” de alguns militantes que pretendem vê-lo fora da direcção, em contravenção com os estatutos. Lucas Ngonda negou as acusações que pendem sobre si, de promover o nepotismo, o regionalismo e a intriga no seio do partido, realçando que sempre primou pela unidade e coesão. Refira-se que este partido enfrenta uma crise de liderança desde 1998, altura em que Lucas Ngonda rompeu com o seu antigo líder, Holden Roberto, criando uma ala reformista para democratizar o partido. Contra todas as expectativas, as anunciadas reformas nunca foram aplicadas, aliás, após ascender ao cadeirão mais alto do partido, esqueceu- se destas medidas, segundo alegam os seus correligionários. O mandato de Lucas Ngonda à frente da FNLA, tem sido marcado por um quadro de “amor e ódio”, havendo acusações e contra-acusações entre a direcção e os militantes, cujo desfecho parece imprevisível.

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