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Mestre Kamosso é homenageado hoje a título póstumo pelo projecto Abadá Capoeira no Elinga

Exímio executante do instrumento musical hungu, falecido em 2017, aos 90 anos, Kamosso influenciou diferentes gerações, contribuindo assim para o surgimento de grupos folclóricos como Jovens do Hungu, Idimakaji, Semba Muxima e Ilundus.

O projecto Abadá Capoeira realiza hoje às 19 horas, no Elinga Teatro, uma homenagem a título póstumo a Mestre Kamosso, exímio executante do instrumento musical hungu, falecido em 2017, aos 90 anos, no município do Icolo e Bengo, província de Luanda. A intenção, segundo os organizadores é perpetuar o seu nome e o seu trabalho, uma arte que influenciou diferentes gerações, contribuindo para o surgimento de grupos folclóricos como Jovens do Hungu, Idimakaji, Semba Muxima e Ilundus.A reverência será feita de várias formas e passará também pela execução do tradicional hungu, uma incursão no tempo ao que se seguirá a habitual demonstração da capoeira, entre outras atracções.

O projecto focado na utilização da capoeira como um forte exercício e instrumento de integração social, tem trabalhado com todas as classes sociais, de modo a possibilitar a recuperação de cidadania, potencializá-la para ter impacto ao nível desportivo, sóciocultural, bem como no resgate de costumes e tradições. Uma outra vertente deste projecto, é sobretudo o resgate das raízes angolanas da capoeira, da bassula, do engolo, do ombangula, da liueta e da kandeka. Com estas pesquisas, o Projecto5R tem procurado integrar a música, a dança, o teatro e as artes plásticas no trabalho que produz.

Este ano, perspectiva o lançamento de um livro de partitura que começou a ser escrito em 2008. Ainda nesse quadro, mantêm- se também concentrados na realização de workshops de canto, ministrados pelo instrutor Boa voz e aulas de percussão, pelo exímio percussionista brasileiro Rodrigo Mouraes. No que diz respeito a artes cénicas, mantém a sua concentração nos últimos anos em todos eventos como a peça Zuela Hungo, que aborda o dia-dia do angolano e das praças.

O artista

Mestre Kamosso nascido em 1927, no Icolo e Bengo), tornouse popularmente conhecido pela sua forma inconfundível de tocar o hungu. Conseguiu obter toda a escala harmónica do instrumento, tendo feito, como exemplo disso, um dueto improvável e insólito com o brasileiro António Victorino de Almeida, aquando da sua viagem a Angola.

Homenagem de nascimento feita pela organização “

Mesene, Mesene Kamosso…  Mestre Kamosso do Hungu Muito tempo atrás inicia a peleja… Fruto da união de Gonga Adão de Almeida e Adão Filho Banga, nasceu Miguel Adão Filho Kamosso a 20 de Agosto de 1927 na província do Bengo.De miúdo pequeno em Cassanjo, vivia a brincar. Conheceu Mestre Custódio que o hungu lhe apresentou e ensinou-o a tocar e a cantar. O petiz assim cresceu imbuído na vibração do hungu e o seu cantarolar. Em 61 vamos simbora camarada canto de protesto, Margarida morena canto de amor, Fez do hungu o seu fiel amigo e único companheiro. Velejou até à Índia e conheceu a imensidão do mar, Como salmão subiu o rio para germinar. Andarilho pelas ruas a cantar e a tocar no plantio de uma semente Brotou o Imbondeiro Hungu Kilamba Kamosso. Os ventos levaram o seu nome além-mar, hoje estarás presente onde o Hungu tocar Teu sorriso contagiante, entusiasmo pela vida, pulungunza na adversidade são traços de sabedoria de um Mestre. És história que inspira gerações… símbolo de resistência cultural. És ritual no ritmo do hungu… Viverás para sempre em nossas memórias, és cultura que emana glória na humildade, és poesia que clama e declama na clave bantu do hungu. No fluxo da vida não correste, deixaste fluir e assim te tornaste:Kilamba…Mestre dos mestres… És Angola…”

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