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Polícia recupera cerca de 100 toneladas de cabos eléctricos em Benguela

Os peritos do Serviço Provincial de Investigação Criminal (SPIC) em Benguela estão a trabalhar arduamente para identificar a proveniência do material e como se processa(va) a entrada do mesmo no circuito comercial

POR: Constantino Eduardo, em Benguela

O Comando Provincial de Benguela da Polícia Nacional apreendeu, no interor de três residências, cerca de 100 toneladas de cabos eléctricos furtados, revelou, ontem, o superintendente- chefe Pinto Caimbambo, porta-voz da corporação ao nível local. O oficial superior explicou à imprensa que o material está avaliado em mais de um milhão de dólares norte-americanos, aludindo que o trabalho do Serviço Provincial de Investigação Criminal (SPIC) em Benguela continua, com vista a desmantelar a suposta rede de marginais que se dedicam a essas práticas. Em reacção às informações que dão conta de que os agentes da Ordem tomaram conhecimento da existência dos cabos eléctricos em três residências por via de uma denúncia, fruto das quantidades até aqui apreendidas em algumas zonas do município de Benguela, o porta-voz da Polícia salientou que foram possíveis graças a um trabalho apurado levado a cabo pela corporação.

Porém, apela aos cidadãos à denúncia. Dos dois cidadãos detidos, garante, não há nenhum estrangeiro. Contudo, estão a ser feitas investigações para se apurar a envolvência ou não de outros cidadãos, entre os quais expatriados. “Eu penso que quando nós estamos a atacar aqui na base, automaticamente aqueles que tem a “responsabilidade” de descaminhar esse material do circuito legal se sentem um pouco intimados”, frisou. Disse trata-se de uma rede sobre a qual o SPIC Benguela, no âmbito do trabalho que desenvolve, está a accionar os mecanismos para a desmantelar.

Neste sentido, o SPIC trabalha na identificação da proveniência do material e como é que se processa (va) a entrada do mesmo no circuito do mercado benguelense. “Em tempo oportuno, poderemos saber como é que se processava o seu desvio e transporte”, promete. Sem revelar nomes, o porta-voz presume que haja a envolvência de indivíduos ligados a uma empresa que se dedica à importação de cabos eléctricos. “Alguém poderia ter tirado da empresa, porque um cidadão qualquer não vai roubar tanta quantidade”, assevera. De acordo com o porta-voz da Polícia, terminado o trabalho de investigação, o material ora apreendido será entregue ao Ministério Público, que terá a responsabilidade de lhe dar o destino certo.

Bairros às escuras, cabos roubados

Segundo Pinto Caimbambo, uma boa parte dos cabos que estavam sob domínio dos cidadãos – dois já estão detidos, estando um em fuga – destinava-se à electrificação de Benguela, no quadro da expansão demográfica, visando o cumprimento de um programa governamental de electrificação de bairros, fundamentalmente ligações domiciliares, delineado pelo Executivo. “No município de Benguela, as quantidades que estamos a encontrar são bastante elevadas”, considera. Na esperança de obter esclarecimentos sobre até que ponto os roubos de cabos eléctricos estarão a inviabilizar projectos de electrificação de alguns municípios de Benguela, OPAÍS contactou o Gabinete de Comunicação da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) local, mas sem sucesso.

Os técnicos preferiram não se pronunciar sobre o assunto, alegando ser necessário deixar, de momento, que os órgãos de investigação criminal e de justiça façam o seu trabalho. No entanto, uma fonte deste jornal não descarta a possibilidade de, mais do que roubos, os factos, a julgar pela quantidade de cabos, vir a tratar-se de desvios e defende a necessidade de se desmantelar a possível rede “o mais rapidamente possível”. Explicou que as pessoas envolvidas estariam a sabotar e, por conseguinte, inviabilizar os esforços do Governo na electrificação dos bairros em Benguela, na base de um programa anunciado pelo Executivo que previa mais de 40 mil ligações domiciliares.

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