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Research Atlantico: A produção petrolífera da Arábia Saudita em Julho

O texto infra é uma tradução da publicação do jornal Financial Times referente ao dia 13.08.2018, com o título “Why Saudi Arabia’s oil output figures are drawing scrutiny” escrito por David Sheppard.

POR: Atlantico

A queda na produção da Arábia Saudita em Julho levanta questões sobre o que está realmente a acontecer. A produção de petróleo da Arábia Saudita é, indiscutivelmente, a mais relevante do sector e determina se o mercado estará sub ou sobre- abastecido. É acompanhada de perto por uma série de actores, desde oil traders a Casa Branca, por isso, quando apresenta surpresas, atrai rapidamente a atenção.

Em Junho, o Reino prometeu aumentar a produção, num movimento amplamente visto como resposta à pressão do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, depois dos preços do petróleo terem atingido o nível mais alto desde 2014. Mas, após a divulgação da produção do mês de Julho, a Arábia Saudita informou que reduziu novamente a produção. Os números fornecidos pela Arábia Saudita à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e publicados na passada segunda- feira sugerem que a produção diminuiu em 201 mil barris/dia no mês passado, para 10,3 milhões barris /dia – invertendo em cerca de 40% o aumento do mês anterior (segundo as fontes primárias consultadas pela OPEP). É justo dizer que o mercado de petróleo – e potencialmente o Presidente Donald Trump – poderá estar a questionar-se sobre o que está a acontecer.

A Arábia Saudita ofereceu uma explicação prosaica, ao revelar que responde ao nível de procura no mercado, ao produzir os barris que seus clientes precisam. “As companhias petrolíferas não estão a comprar mais”, segundo fonte familiarizada com a política energética da Arábia Saudita. Mas isso não foi prontamente aceite por todos no mercado. Um dos motivos que contribuiu para a reacção da Arábia Saudita pela primeira vez à pressão da Casa Branca para aumentar a produção, é a reimposição das sanções pelos Estados Unidos da América a arqui-rival Arábia Saudita. Embora as sanções não entrem em vigor antes de Novembro, o argumento é que a Arábia Saudita deveria estar a aumentar a produção, independentemente da procura, de modo a criar uma almofada de oferta contra o défice iminente dos barris iranianos. Os investidores esperam cada vez mais que as sanções dos EUA afectem pelo menos 1 milhão de barris/dia das exportações iranianas.

A Consultancy Energy Aspects acredita que o valor reportado de 10,3 milhões barris/ dia foi “muito baixo” e provavelmente é uma tentativa de suportar os preços”, confirmando a afirmação por imagens de satélite, que mostravam a criação de stocks na Arábia Saudita. A Arábia Saudita pode sentir a pressão da Casa Branca em baixar os preços, mas não quer que o mercado entre em colapso devido à sua dependência económica do petróleo, tentando equilibrar o petróleo bruto entre 70 USD e 80 USD por barril. Por outro lado, não quer antagonizar excessivamente o Irão, um membro da OPEP, que se opôs ao aumento da produção do cartel de forma agressiva. A incerteza não foi amenizada pelas agências que acompanham a produção da Arábia Saudita e de outros membros da OPEP, divulgando uma gama excepcionalmente ampla de estimativas para a produção do Reino.

As seis fontes secundárias usadas pela OPEP – Agência Internacional de Energia, US Energy Information Administration, agências de preços Platts e Argus, Petroleum Intelligence Weekly e IHS Markit – registaram produção entre 10,3 e 10,6 milhões barris/dia no mês passado. A Argus e a IHS Markit , que tiveram estimativas relativamente baixas, defenderam os seus números  ros após um relatório que destaca que algumas agências enfrentaram a pressão da Arábia Saudita para reduzir a produção. Ambos disseram ter alcançado suas estimativas de forma independente. Fontes de agências com estimativas mais altas – que falaram sob condição de anonimato – revelam, no entanto, que foram contactadas por autoridades sauditas que haviam advertido que a sua produção era muito alta. Seja qual for a verdade sobre a produção saudita no mês passado, a atenção em breve mudará para os números de Agosto. Os traders preparam-se para a próxima surpresa, a menos que sinais mais claros cheguem primeiro.

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