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Amílcar Mário Quinta: ‘O protocolo é efectivamente uma ciência’

A cidade de Luanda prepara-se para acolher, de 29 a 31 de Agosto, a primeira conferência internacional sobre cerimonial e protocolo, uma iniciativa de um grupo de empreendedores e estudiosos na matéria, destinada a capacitar e potenciar os angolanos nestes incontornáveis ramos de actividade, que, segundo Amílcar Mário Quinta, um dos seus organizadores, encerra muito mais valias do que geralmente se pensa, tanto que já há países em que se ministram licenciaturas e demais formações de grau superior nesse segmento.

Qual é o motivo da realização da I Conferência Internacional sobre Cerimonial e Protocolo?

Permita-me, antes de mais, dizer- lhe que o cerimonial e o protocolo sempre acompanharam a existência das colectividades humanas. Por isso, desde o nosso nascimento até à morte, a nossa trajectória é acompanhada por um conjunto de normas de cerimonial, protocolo e até de etiqueta. É exactamente sobre todas estas matérias que nós pensamos abordar no âmbito de uma conferência internacional, no Memorial António Agostinho Neto, de 29 a 31 de Agosto deste ano.

E, já agora, quem são os organizadores desta conferência?

A conferência é uma iniciativa da Cerimoniallis, uma empresa de direito angolano vocacionada à consultoria em gestão de eventos. Todavia, este projecto conta com o apoio de várias entidades, tais como a Faculdade de Direito da Universidade Católica de Angola, a Refriango, a empresa Aurora, a Bussiness Etiquette, a BIFUR, a Kronos Music, a Nadivas Eventos e Serviços, assim como a empresa Indispensável. Oxalá que não tenha omitido nenhum dos nossos parceiros desta iniciativa singular.

Sabemos que a conferência será realizada sob o lema: “Protocolo – Mais do que Uma Arte, Uma Ciência.” Porquê, afinal, a escolha desse lema?

Esta é uma boa pergunta. O que pretendemos, com a escolha deste lema, foi despertar a atenção da sociedade para a necessidade de dar cientificidade às questões inerentes ao cerimonial e ao protocolo. Em Angola, ainda se continua a olhar para estas matérias sobretudo numa perspectiva prática. Quando se pensa em protocolo, invariavelmente, à mente vem a imagem de alguém bem aparentado que, numa determinada cerimónia, conduz os convidados aos seus lugares. Esta é, digamos assim, uma visão arcaica do protocolo. As pessoas – incluindo os próprios profissionais de cerimonial e protocolo, precisam de começar a compreender que, no mundo contemporâneo, o cerimonial, o protocolo e a organização de eventos já fazem parte do currículo de algumas universidades. Eu próprio fiquei espantado quando, em 2011, frequentei, na Espanha, um curso de especialização em protocolo. Lá existem cursos de cerimonial e protocolo ao nível de licenciatura, mestrado e até de doutoramento. Então precisamos, também nós, de olhar para estas matérias a partir de uma perspectiva epistemológica e científica.

Então quer com isto dizer que, em Angola, ainda não existe formação superior em protocolo?

Tanto quanto eu saiba, não há. O que existe, a nível de algumas instituições de ensino superior, é a disciplina de protocolo. Por exemplo, no curso de relações internacionais estuda-se o chamado protocolo diplomático. Julgo que no Instituto Superior de Guerra das Forças Armadas Angolanas há a disciplina de protocolo militar. Em todo caso, repito, não temos um curso superior de protocolo como tal, apesar de o cerimonial e o protocolo conviverem connosco durante os 365 dias do ano. Entretanto, já é assinalável instituições de ensino superior em cuja grelha curricular tratam matérias ligadas ao cerimonial e ao protocolo. Por conseguinte, este é um bom ponto de partida e igualmente uma clara indicação de que o protocolo é efectivamente uma ciência.

Quem serão os prelectores desta Conferência?

Teremos, no total, oito prelectores, sendo seis nacionais e dois estrangeiros. Para fazer jus ao lema desta I Conferência Internacional sobre Cerimonial e Protocolo, todos os prelectores estão ligados à academia. Isto é, são todos professores. Entretanto, o nosso convidado de honra é o professor Gerardo Correas Sanchez, vicepresidente da Organização Internacional de Cerimonial e Protocolo e director da Escola Internacional de Protocolo da Universidade Miguel Hernandez, da Espanha.

Já agora, gostaria de saber que temas serão abordados na conferência?

Ora, teremos oito temas. Por razões de economia farei alusão à apenas alguns deles, nomeadamente: o perfil dos oficiais de cerimonial e protocolo; o cerimonial entre os povos bantus; as particularidades do cerimonial militar; o protocolo diplomático angolano; o protocolo eclesiástico; o protocolo empresarial; a importância da linguagem verbal e não verbal no protocolo e a problemática da ordem de precedência em Angola. Significa que, em suma, serão abordadas matérias ligadas quer ao protocolo público, quer privado.

Como ter acesso à conferência?

Como disse antes, a conferência será realizada entre 29 e 31 de Agosto, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, das 14 às 17 horas. As reservas são limitadas e, por isso, os interessados em participar na conferência ainda podem adquirir os ingressos no referido Memorial. Para mais informações, estão disponíveis os seguintes contactos telefónicos: 923-289-119 e 992-502-483.

Que resultados esperam alcançar com a realização da I Conferência Internacional sobre Cerimonial e Protocolo?

Olhe, de algum modo já respondi à esta questão. Para além do que já disse, deixe-me acrescentar que nós, a Cerimoniallis, estamos surpreendidos com o nível de adesão a esta Conferência. Imagine que, só para citar um exemplo, até recebemos inscrições do Luau, de Ondjiva, do Lobito, do Dundo e de Mbanza Congo. Significa que o interesse por estas matérias, ultrapassa a capital do país e as capitais das províncias. Isto já é um impacto muito positivo. Em última instância, o que pretendemos é cimentar o espírito de classe entre os profissionais de cerimonial e protocolo. Nesse sentido, já temos instituída a Comissão Instaladora da futura Associação Angolana de Profissionais de Cerimonial e Protocolo (APCPA), que pretendemos seja um espaço onde se poderá reflectir sobre estas matérias. É exactamente por isso que nós já temos, inclusive, os olhos postos para a II Conferência que será realizada em 2019. Finalmente, aos participantes à esta I Conferência, quase ia esquecendo-me de dizer que, dia 31 de Agosto, o professor Gerardo Correas irá autografar alguns livros de sua autoria. Por isso, não percam esta oportunidade para enriquecer a vossa biblioteca pessoal. Contamos convosco.

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