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Contentores do drama

Está cada vez mais presente a imagem de miúdos a mexer em contentores de lixo. Poder- se-ia pensar tratar-se de pessoas “desequilibradas”, mas não. Aliás, há gente de todas as idades a remexer o lixo em busca de sobras de alguma coisa.

POR:José Kaliengue

E não é apenas em Luanda. Huambo, Benguela, Lobito, Lubango são cidades onde não é necessário procurar, esta triste realidade entra-nos nos olhos e perpassanos a alma quase em todas as esquinas. Não sei se as pessoas das periferias empobreceram mais ainda e são levadas a isso, ou se chegam cada vez mais novos “periféricos” vindos de um campo cada vez mais pobre. Mas isso também não interessa especular aqui. O que choca é percebermos a quase inexistência de mecanismos de apoio social para os mais vulneráveis. Na verdade, estamos mergulhados num drama, em que o Estado não tem como acudir a uma população maioritariamente desempregada e improdutiva, mas à qual não se pode virar as costas. Só que para haver recuperação económica e dos mecanismos de solidariedade é obrigatório que haja austeridade, até para o Estado. Quem queira mesmo perceber a situação em que está o nosso país, basta-lhe abrir os olhos e pensar, ou, se calhar, tentar sentir a dimensão da pobreza que leva tanta gente a procurar por restos em contentores de lixo.

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