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Décimo terceiro em quatro prestações reduz inflação

O objectivo do Ministério das Finanças é parcelar, em quatro prestações, o décimo terceiro mês, essencialmente para os trabalhadores da função pública, justificando-se que a redução do poder de compra em Dezembro provoca uma redução na inflação.

Ao contrário dos últimos anos, em que o décimo terceiro mês era pago em três prestações (Outubro, Novembro e Dezembro) o seu pagamento este ano será efectuado mais cedo. Para o economista João Zumba, a medida visa reduzir a massa monetária em Dezembro, referindo que estudos constataram subidas acentuadas na inflação durante a quadra festiva. “A vantagem é que a medida vai suavizar a inflação em Dezembro. A desvantagem para os consumidores é ter menos capacidade de compra. Quando se recebe de uma só vez é possível comprar uma coisa mais valiosa”, refere. Ressalva, que apesar da medida sempre haverá inflação em Dezembro, pois todas as famílias tendem a comprar mais.

No entanto, reconhece que “haverá, ao contrário dos outros anos, uma inflação mais suave”. O economista afirma que as medidas económicas nunca são boas nem más. Visam sempre um objectivo. E quando os objectivos são alcançados é positivo, e quando é ao contrário, pode-se considerar uma medida não acertada. O Ministério das Finanças anuncia, em comunicado, que a partir deste mês (Agosto) dará início ao pagamento do complemento salarial do décimo terceiro mês a todos os efectivos do aparelho de Estado. “O pagamento será feito de forma parcelada, visando a divisão do mesmo em 4 prestações.

Desta forma, os funcionários públicos e pensionistas vão dispor antecipada e gradualmente do chamado subsídio de Natal, recebendo a última parcela em Novembro do corrente ano”, avança o comunicado. A medida, de acordo com o Ministério das Finanças, permite ao Executivo honrar com os seus compromissos e permite suavizar as pressões de tesouraria decorrentes da baixa do preço do petróleo. O Ministério das Finanças pretende também, com esta medida, evitar que em Dezembro ocorram pressões do lado da procura por excesso de liquidez, que possam influenciar o índice de preços e, consequentemente, afectar de modo acrescido o poder de compra.

O Ministério das Finanças refere que, “apesar da escassez de recursos financeiros, decorrente da queda do preço das matérias-primas, o Executivo angolano tem conseguido honrar os seus principais compromissos, com destaque para o pagamento de salários, o serviço da dívida e as despesas essenciais de funcionamento, fruto de uma gestão fiscal prudencial”, refere o comunicado. Refira-se que o sistema financeiro angolano está a ser alvo de muitas transformações, num processo que conta com a assistência técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI), que esta semana anunciou um empréstimo ao Executivo visando a estabilização do programa macroeconómico do país para dar resposta às suas necessidades internas.

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