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Figueira Ginga: Talento empreendedor de Figueira Ginga faz nascer “Duetos N’Avenida”

Figueira Ginga é um amante confesso da música angolana e, para unir o útil ao agradável, resolveu colocar a sua qualidade de empreendedor ao serviço da expressão artística que mais gosta. Daí, criar a produtora Zona Jovem, que inicia uma série de cinco shows baptizados “Duetos N’Avenida”, a começar dia 25 desse mês (amanhã, Sábado), no palco da Casa 70.

Para o efeito, misturou ousadia e originalidade e convidou 10 músicos da praça nacional de reconhecido potencial artístico e melódico, tendo dividido o grupo em cinco duplas, uma para cada show da série, que termina em Dezembro. O show de estreia será de Puto Português e Patrícia Faria, seguidos por Eduardo Paim e Maya Cool (22 de Setembro), Gabriel Tchiema e Euclides da Lomba (26 de Outubro), Bruna Tatiana e Edmazia Mayembe (24 de Novembro) e Yuri da Cunha e Paulo Flores (8 de Dezembro). Nesta entrevista, Figueira conta como foi a arte de juntar tantos talentos. Em entrevista a este jornal, o mentor do projecto fala sobre os meandros da iniciativa.

Quais foram os critérios para a escolha das duplas de artistas do projecto “Duetos N’Avenida”?

Em primeiro lugar, primámos pela qualidade musical, a opção pela vertente acústica e o estilo musical, bem como olhamos também para aquilo que poderá ser o seu entrosamento em palco e o desafio de interpretar músicas que não são suas.

E por que investir nesse formato de ‘duetos’?

Porque achamos que o formato de duetos representaria um desafio para os músicos juntarem-se, para tentar fazer um show de raíz, acústico e diferente. E com isto estaríamos a plantar mais uma semente na união entre os músicos angolanos, com o intuito de juntos valorizarmos cada vez mais a música angolana.

Que trabalho desenvolveu para que chegasse aos resultado das cinco primeiras duplas?

Tem nos dado um orgulho e satisfação falar sobre estas duplas, porque conseguimos “casamentos” quase perfeitos. Antes de termos os duetos improváveis, vamos ter os duetos da cumplicidade. É assim que, além desta homenagem ao Semba com Patrícia Faria e Puto Português para abrir o projecto, vamos juntar Eduardo Paim e Maya Cool, numa homenagem singela ao criador da Kizomba e ao seu eterno seguidor, num show que, temos certeza, terá a cumplicidade no género musical. Já Gabriel Tchiema trará a modernidade da música tradicional angolana e Euclides da Lomba, o puro casamento entre a composição, melodia, voz e Kizomba.

Ainda haverá Bruna Tatiana e Edmazia e sobre o show de encerramento com Paulo Flores e Yuri da Cunha?

Apostamos na jovialidade de Bruna Tatiana e Edmazia Mayembe. Um show no feminino, em que vamos trazer a irreverência vocal adaptada aos tempos modernos, onde o zouk love falará mais alto. E, por fim, fechamos como começamos, celebrando o Semba, com os exímios Yuri da Cunha e Paulo Flores, que representam a nossa preservação cultural na sua essência.

Certamente as escolhas não terão sido fáceis. Quais foram as maiores dificuldades para formatar o projecto?

Podemos falar novamente na nossa aposta por duetos improváveis, que resultaram numa cumplicidade perfeita. Foi fácil observar os músicos e, pela sua qualidade, ver os que se encaixam na nossa perspectiva. A dificuldade foi com as agendas dos músicos. E, acima de tudo, fazer o empresariado angolano apostar num projecto de elevação da música e cultura angolana. Está difícil cativar apoios, mas temos a certeza que é uma questão de tempo e persistência.

Enquanto empresário musical e produtor, como caracteriza o estado actual da música angolana?

Não me considero ainda um empresário, mas o rosto de um grupo empreendedor, que prima por trazer conceitos diferentes à nossa cultura. A música angolana é hoje fruto de toda a envolvência e vicissitudes da vida do país e, se por um lado tivemos ganhos substanciais na qualidade da produção, novas tendências e métodos, fomos perdendo alguma essência naquilo que seria partir do que é nosso para fazer melhor. Mas vamos encontrar o caminho certo, com políticas culturais que sirvam o interesse da classe e do país.

E quanto à produção cultural no país, como a avalia?

Temos exemplos animadores de produtoras como a LS Republicano e da Nova Energia que têm dado o seu melhor e numa visão diversificada cada uma persegue uma meta . Mas penso que o principal constrangimento tem sido o facto de o empresariado ficar ausente do movimento cultural. E ainda temos também a educação cultural que deve ser retomada e levada a sério para edificarmos o “ser Angola culturalmente”.

O que mais o motiva neste trabalho de produção cultural?

Acima de tudo, servir o país apresentando propostas que sejam uma mais-valia para o mosaico cultural e acrescentar mais solidez a um cartaz cultural representativo da nossa identidade.

Angola já teve um fluxo de artistas estrangeiros que há algum tempo não se verifica. Qual será a causa desse “fenómeno”?

Decididamente, a crise mundial a que não estamos alheios, leva à uma retracção das iniciativas do género, mas que timidamente vão sendo feitas.

Esta situação levou a Zona Jovem, no ano passado, a realizar o “Serenatas à Kianda”, e trouxe músicos estrangeiros. Esse projecto está encerrado, mas será que, brevemente, os angolanos poderão contar com algo parecido ou mesmo uma nova edição?

O Duetos já é uma iniciativa do Serenatas numa versão mais nacional. A seu tempo, o Serenatas vai retomará o intercâmbio cultural entre a Lusofonia. Como disse, a crise têm restringido vôos a este nível, mas novos ventos virão.

O que se pode esperar para esta abertura do Duetos N’Avenida e para os outros concertos na Casa 70?

Muita música de qualidade, shows de encantar o público e levá- lo a uma viagem única pela qualidade da música angolana e também momentos de confraternização e cumplicidade entre música, músicos e público.

Pretende levar o Duetos a outras localidades de Luanda. Quais estão na lista? Há algum plano nesse sentido?

Pretendemos fazer o Duetos nas grandes avenidas de Luanda. Diríamos que estamos a apanhar o balanço para tal, para depois ganharmos endurance e levar o projecto ao país inteiro.

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