Luanda Cartoon homenageia a moda na sua 15ª edição

A exposição está composta por mais de 100 obras, entre caricaturas, ilustrações e Banda Desenhada que retratam aspectos sociais, políticos, culturais e económicos

Texto de: Antónia Gonçalo

A 15ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada ,denominada “Luanda Cartoon”, arrancou na Sexta-Feira, 25, no Camões/Centro Cultural Português (CCCP) em homenagem à moda, através dos trabalhos apresentados.

A exposição, composta por mais de 100 obras, entre caricaturas, ilustrações e Banda Desenhada (BD), de 43 artistas angolanos e estrangeiros, retrata aspectos sociais, políticos, culturais e económicos dominados pelas tendências da moda, com base na época em que se enquadram as “estória”.

A mostra e as actividades, que encerram a 31 do corrente, decorrem na Casa de Cultura do Rangel e no Estúdio Olindomar. Expostas estão as obras de artistas como Laudo Pereira, Luís Airosa, Braulio Cole, Deban, Júlio, Isabel, Casimiro, Jacob Lopes, Tché Gougel, Lindoumar de Sousa, Pedro Tchivinda, Tim, Calles Bossas, Nelson Paim e André Diniz, We
berson Santiago e Jeremié Nsingi, provenientes do Brasil e da Republica Democrática do Congo.

Segundo o director do festival, Lindomar de Sousa, a homenagem deve-se ao facto de considerarem a constante ligação da moda com a BD, através das obras que retratam várias épocas.

“Os artistas quando fazem os seus trabalhos, muitas vezes com temas que reflectem uma determinada época e a moda, sempre estiveram ligados a isso. Por exemplo, um trabalho que retrata os anos 80 é impossível fazer-se sem ilustrar a tendência da moda desta época”, sublinhou.

Actividades

Durante a abertura do festival foram comercializadas revistas de BD Saga BD, a Origem do Povo Angolano, Do Zimbo ao Kwanza, Miss Diva, Boruti Kasongo e Histórias do carnaval dos artistas participantes. Lindomar de Sousa realçou que, apesar de darem arranque ao evento, a organização está de luto devido ao passamento físico de um dos membros da organização, Osvaldo Bala, que foi sepultado no dia da abertura do Luanda Cartoon.

“Estamos extremamente arrasados com o facto, mas como o festival não é só nosso ,tivemos que reunir forças para prosseguir. Acreditamos que ele também faria o mesmo. Deste modo, estamos a fazer o festival neste dia de tristeza, mas não deixa de ser uma festa”, enfatizou.

Outras actividades

Durante o festival serão realizados ciclos de cinema animados, conversa entre os artistas angolanos que publicaram as suas obras e um “pocket Show”. Está ainda agendado para esta edição do festival um workshop de intercâmbio entre os artistas estrangeiros, que dissertarão sobre os trabalhos que têm realizado. Os referidos convidados vão ainda realizar outro workshop aberto, onde poderão interagir com o público.

Participação internacional

Quanto à participação de dois artistas brasileiros e um congolês, o director do festival referiu que os mesmos apresentaram nas suas obras de Banda Desenhada factos que ocorrem nos seus países, publicados nos últimos tempos.

O também cartoonista referiu ainda que “são artistas com grande relevância no mercado da Banda Desenhada da actualidade. É um motivo de grande alegria contar com a presença pela primeira vez destes artistas”.

André Diniz, desenhador e argumentista brasileiro de BD apresentou o seu mais recente trabalho, intitulado Malditos Amigos, e Olimpo Tropical, que retrata questões relacionadas com a depressão nas grandes cidades como São Paulo (Brasil) e a delinquência. André Diniz realçou que se sentiu emocionado ao ver as suas obras entre as de vários artistas angolanos, facto que considerou motivo de alegria por fazer parte pela primeira vez do certame.

“Para se realizar um festival como este é preciso ser muito apaixonado pela arte, porque não é uma tarefa fácil, tanto aqui como em outros países. Ver os irmãos angolanos também na mesma luta, com os mesmos sonhos e expectativas é gratificante”, observou.

Jeremié Nsingi, cartoonista congolês, apresenta no festival duas obras que retratam o conflito entre os géneros, através das palavras e da exploração de mulheres.

O artista avançou que sempre almejou participar no Luanda Cartoon, por se tratar de um festival de caracter internacional, de referência na região da África Austral, estando este entre os mais cotados.