Lival dá camião e Kz 9 milhões para indemnizar trabalhadores

O director dos recursos humanos da empresa Lival predispôs-se a pagar nove milhões de Kwanzas e um camião aos 29 trabalhadores que estão desde 2017 sem os seus salários, com a finalidade de saldar a dívida que inicialmente rondava os mais de 40 milhões de Kwanzas. Os trabalhadores não concordam

Por: Stela Cambamba

A empresa Lival, de transporte de combustíveis, tem uma dívida inicialmente orçada em 48 milhões de Kz, passou para 30 milhões, com os seus trabalhadores. Na tentativa de liquidar a dívida, tentou um acordo com os profissionais, depois da publicação do assunto no Jornal OPAÍS, denunciado pelos próprios trabalhadores.

Ao contrário do que tinha sido acordado em tribunal, em 2017, que a dívida seria paga em sete prestações a partir do mês de Novembro de 2017 e terminaria em Maio de 2018, os trabalhadores foram chamados pelo director de recursos humanos, Edson de Oliveira, e receberam a proposta de ser-lhes pagos apenas nove milhões e um camião cisterna.

Um dos trabalhadores que voltou a contactar o nosso jornal, sob a condição de anonimato, disse que se reuniram com os membros da área de direcção da empresa no final do mês de Julho, nomeadamente com Dedaldino Balombo e Eduardo Viera Dias, onde lhe prepuseram que deixassem o processo seguir no tribunal sem pressão. Passadas algumas semanas, voltaram a reunir com o director dos recursos humanos, Edson de Oliveira, que fez a proposta dos nove milhões de Kwanzas e dar um camião cisterna da empresa para liquidar a dívida que ronda em 30 milhões de Kwanzas.

Entre os funcionários há também mecânicos que conhecem o estado do camião proposto e estes afirmam que o veículo, mesmo depois de comercializado, não cobria nem 50% da dívida. “O camião devia ser comercializado e o valor da venda cobriria a dívida, tendo assim encerrado o caso no tribunal.

O problema é que, por um lado, o total dos noves milhões de Kwanzas que diziam, nem sequer estava disponível. Por outra, o camião iria ficar na empresa até que os trabalhadores conseguissem um cliente.

O mecânico nos garantiu que o camião não está em boas condições de comercialização”, disse a nossa fonte. Penhora dos bens à vista São 29 trabalhadores da empresa de transporte de combustível Lival que estão nesta situação, que durante três anos prestaram serviço a esta organização e foram pagos apenas dois.

Para eles, é uma péssima proposta aquela que a empresa fez e que apenas deu porque queria livrar-se da imprensa e da pressão do tribunal. Importa frisar que, por conta desta situação, muitos trabalhadores viram as suas famílias separadas, e outros, os filhos fora do sistema de ensino, pelo que pedem encarecidamente que os responsáveis da referida empresa resolvam a situação.

OPAÍS contactou o advogado dos trabalhadores, Belchior Fidel Catongo, que confirmou que, por incumprimento por parte da empresa em pagar a dívida, foram obrigados a dar entrada de um processo de execução do património da empresa, sendo que agora aguardam que o tribunal notifique a instituição ou nomeia bens para serem penhorados. Recordamos que na primeira entrevista o advogado tinha dito que das vezes que procurou saber da empresa Lival as razões que a tinham levado a proceder de tal forma (não pagamento da dívida), foi-lhe respondido que é a falta de dinheiro.

“Acredito que ainda não se fez nenhum pagamento por conta de má-fé dos gestores, isso sim”, reforçou, na altura. Por outra, os funcionários acreditam que a empresa deixou de funcionar plenamente não por falta de produtividade ou capacidade dos técnicos, mas sim por falta de boa vontade de quem a gere.

‘Estamos dispostos a negociar’

Contactado pelo OPAÍS, o director comercial da empresa, Eduardo Viera Dias, confirmou que o caso está no tribunal e, como responsável, sente a situação que os trabalhadores vivem e tudo têm feito no sentido de verem ultrapassada esta divergência, apesar de os funcionários não sentirem isso. Um dos sinais de que estão dispostos a negociar é, segundo ele, claramente o facto de terem disponibilizado o camião cisterna para a sua comercialização.

“Não compreendo quando os trabalhadores dizem que estamos agir de má-fé, porque há casos que nós suprimos, aquelas situações pontuais, como quando aparece alguém a pedir 10, 20 ou 30 mil Kz para atender questões de saúde ou infelicidade na sua família”, defendeu.

O director comercial lamentou ainda o facto de os trabalhadores, numa altura em que a empresa procurava resolver o problema, terem exposto a situação da Lival na imprensa.

Acha que é um assunto que podia muito bem ser tratado entre a empresa e os trabalhadores, bem como o tribunal, sem interferência da imprensa. “Estamos a fazer o que podemos. Estamos em crise e tudo temos feito para o bem dos trabalhadores. Fambém não é verdade quando dizem que não estamos preocupados”, garantiu.