loader

40% dos municípios de Benguela não têm bloco operatório nos hospitais

Dos 10 hospitais municipais que a província de Benguela possui, apenas em 6 é possível realizar intervenções cirúrgicas aos pacientes locais, os demais 4 hospitais, logo, municípios, não possuem blocos operatórios e distam várias dezenas de quilómetros do vizinho mais próximo.

Milhares de angolanos em Benguela são forçados a percorrer largos quilómetros, dezenas e centenas, em busca de cuidados de saúde. Englobando os 10 hospitais municipais, a situação agrava-se nos serviços cirúrgicos, inexistentes em 40% destes. Deste modo, os municípios apetrechados com blocos operatórios nos hospitais são: Benguela, com grande apoio do Hospital Geral e oferece o mais abrangente leque cirúrgico. Lobito também tem um Hospital Geral, seguido pela Baía Farta, Bocoio, Catumbela e Cubal.Por outro lado, sem quais quer possibilidades cirúrgicas para atender os munícipes residentes, estão os hospitais municipais do Balombo, do Caimbambo, do Chongoroi e da Ganda.

Serviços cirúrgicos para “remediar”

“Estratificar a província por regiões”, declarou o doutor Cabinda, é a medida que tem permitido amenizar as necessidades cirúrgicas que cada município sem bloco operatório apresenta, obrigando os seus pacientes a deslocar-se. “A região Norte, que abrange Balombo, Bocoio e Lobito, tem o Hospital Geral do Lobito como referência”, logo, lá são atendidos grande parte dos casos cirúrgicos dos municípios do interior, a Norte da província. Não sendo este um remédio suficiente, “abrimos o bloco operatório no hospital do Bocoio, para suportar também o município do Balombo, para que não tenham muita distância a percorrer”, caso afluíssem ao Lobito, esclareceu Cabinda. No Sul “procuramos dotar de melhores meios o Cubal, não só pela sua densidade populacional, mas porque situa-se entre dois outros municípios, Ganda e Caimbambo, para que assim possa dar resposta a mais esses dois”, sublinhou.

Não há previsões para abertura de blocos operatórios nos 4 municípios em falta e, com um orçamento mensal de Kz 10.000.000,00 para a saúde provincial, não deverá ser tão cedo que essas dificuldades serão mitigadas. Ainda assim, segundo o director do Gabinete Provincial da Saúde, António Cabinda, os 10 hospitais municipais deste distrito funcionam, todavia, “alguns desses carecem de intervenção porque já são de construção antiga”, salientou. Geralmente, nas cerca de 350 unidades sanitárias que a província detém, entre privadas e estatais, hospitais, clínicas, centros de saúde e postos médicos, funcionam dezenas de especialidades médicas, tais como: cirurgia maxilo-facial, pediatria, cardiologia, psicologia clínica, oftalmologia, endocrinologia, cirurgia plástica e reconstrutiva e outras, predominantemente situadas no litoral, porque parte dos hospitais dos municípios do interior vivem lacunas em serviços e pessoal especializado.

Especialidades críticas em falta

Enquanto titular da pasta da Saúde, “neste momento, preocupa- nos a hematologia e a oncologia, dois serviços de que a província não dispõe. Além desses, precisamos de reforçar o serviço de neurocirurgia”, declarou o doutor Cabinda. Isto porque a estatística de Benguela relativamente aos traumas é elevada, daí que uma parcela considerável dos traumas requer neurocirugias. Todavia, “a província ainda tem insuficiência de quadros para a resposta”, confirmou. Assim, sabe-se que nesta província da região centro do país, Benguela, há apenas dois médicos especialistas em neurocirurgia. São dois neurocirurgiões estrangeiros que trabalham no município sede. Em suma, Benguela ainda está longe de atingir o número considerado ideal, pelo Governo, em termos de unidades sanitárias devidamente equipadas, que prestem serviços diversos de assistência à população, segundo avançou Cabinda. Porque o objectivo é que cada povoação tenha sempre uma unidade sanitária convenientemente capacitada e equipada para atender às suas necessidades, situada num raio máximo de 25 Km de distância das suas casas.

Últimas Notícias