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Detectados mais de 60 falsos terapeutas tradicionais

De modo a dotar os terapeutas tradicionais angolanos, legalizados, de técnicas modernas para melhor aproveitarem os recursos disponíveis, os seus representantes criaram, na Terça-feira, uma comissão para cooperar com os seus colegas da República Popular da China.

Sessenta e seis indivíduos que se faziam passar por terapeutas tradicionais foram identificados, dos quais 43 serão, dentro de dias, apresentados aos órgãos de justiça pela Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural, Alternativa e Não Convencional de Angola, revelou ontem, em Luanda, Kitoko Maiavangua. O presidente da referida organização revelou que existem 23 falsos terapeutas em fuga e que, por agora, a associação está a investigar e a expor publicamente os prevaricadores. Para dizer aos cidadãos sobre como podem identificar que estão diante de “charlatões”, detalhou que não devem fazer tratamento com todos aqueles que exigem materiais como urnas e animais para serem sacrificados. Kitoko Maiavangua prestou tal informação à margem das festividades do dia 31 de Agosto, Dia Africano da Medicina Tradicional, proclamado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O terapeuta reconheceu que alguns praticantes da medicina tradicional exercem mal a sua actividade laboral e que, para evitar especulações de preços, vão estabelecer uma tabela de preços de cumprimento obrigatório. Explicou que que o trabalho desenvolvido pelos cinco mil terapeutas filiados na associação passará a ser fiscalizado pela Inspecção Geral da Saúde, em todo o país. Segundo Kitoko Maiavangua, a OMS recomendou ao Governo que relance as políticas nacionais voltadas para a prática da medicina tradicional, com base no anteprojecto que a sua associação propôs, em 2012, e não obteve resposta. Por falta deste regulamento, os profissionais do sector actualmente trabalham sem regras. “Não podemos deixar o empírico facilitar as investigações científicas”, defendeu.

33 mil parteiras tradicionais sob controlo

Não obstante isso, a câmara dos terapeutas, pretende, ainda este ano, construir escolas para formação de parteiras tradicionais em todas as províncias, tendo em conta que actualmente controlam 33 mil “especialistas” que diariamente ajudam a vir ao mundo milhares de crianças em zonas onde o serviço materno-infantil ainda é exíguo. Por outro lado, afirmou que de modos a dotar os especialistas nacionais do sector de técnicas mais sofisticadas para melhor aproveitamento dos recursos disponíveis (plantas), criaram, na Terça-feira, uma comissão para cooperar com a sua congénere da República Popular da China. Segundo disse, essa parceria vai incentivar a investigação científica, inserir a industrialização de plantas medicinais, assim como melhorar no doseamento de medicamentos, que administram empiricamente. Como dificuldade no exercício da sua profissão, Kitoko Maia-vangua apontou a legalização do “Estatuto do Terapeuta Tradicional”. Em relação ao suposto curandeiro que terá encarcerado dez pacientes por falta de pagamento, no interior do país (noticiado ontem), afirmou que não está filiado na sua organização e que acredita tratar-se de um falso terapeuta. Condenou o acto e lamentou a situação dos pacientes, augurando que as regras a serem implementadas venham a pôr fim a situações do género. “Os valores cobrados serão controlados, de modo a evitar as cobranças anárquicas e todos os terapeutas deverão pagar uma quota à Associação. Aproveito a oportunidade para pedir perdão à sociedade por tais práticas”, frisou.

Cura pelas ervas

José António Bundo, de 46 anos, terapêutico asmático da província de Cabinda, garantiu, em entrevista ao jornal OPAÍS, que faz medicamentos com base em plantas naturais, frutas e mel, trata também diversas patologias como malárias, febre tifoide, hemorroide, hérnias, apendicite, miomas, pressão arterial, doenças mentais e perda de memória, entre outros. O especialista, que exerce actividade há 30 anos, afirmou que, como pesquisador, descobriu, recentemente, como remover miomas e curar apendicite, quistos e recuperar a memória por via de tratamento feito com base em ervas. Explicou que para tal usa apenas raízes, cascas, folhas,frutos e flores.

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