Ou somos todos, ou ninguém se safa

Na época colonial, os colonos e assimilados enfermeiros, professores, chefes de posto, médicos, médicos veterinários, funcionários da Fazenda, pastores religiosos, etc., andavam com a casas “às costas”. Além das cidades, muitos iam trabalhar em vilas e aldeias.

POR:José Kaliengue

Os seus filhos iam consigo. Estes meninos estudavam nas escolas locais, envolvidos pelo ambiente local, com aldeões locais, brincavam nos mesmos risos e lagoas. Depois, alguns iam para a cidade para frequentar o liceu e mais tarde para a metrópole para a universidade. Tais meninos, no nível em que estivessem tinham o mesmo conhecimento que o detido por um menino do Minho nas mesmas condições. Mas os daqui tinham a vantagem da bagagem multicultural e de um mundo mais aberto. Depois das Independências, os que foram viver em Portugal não tiveram dificuldades para se imporem e liderar. Hoje, o menino da aldeia angolana não está ao nível do menino da escola pública da cidade e este está abaixo do menino do colégio privado e este, por seu turno, está abaixo do menino da escola internacional, que está abaixo do menino da aldeia da ex-metrópole e de todos os outros de cá porque é culturalmente nada. Num país de 30 milhões de habitantes, a nossa elite não chega a um milhão e é mal instruída, além de perdida culturalmente. Logo, se se quer desenvolver o país, o menino da aldeia deve ter as mesmas competências acadêmicas que o seu colega da cidade, do colégio ou da escola internacional. Mas aqui, com a cegueira do “não me toques” e do dinheiro, criou-se um sistema de reprodução da mediocridade, sem que a elite percebesse que nunca se libertaria dela. Além da vaidade e da ostentação, fruto da falta de capacidade e da má instrução, a nossa elite não tem mais nada para oferecer, infelizmente.