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Crianças-soldado enviadas a ataques sob o efeito de álcool e de drogas

Representantes de 298 vítimas acusaram Bosco Ntaganda, antigo general rebelde da República Democrática do Congo, no Tribunal Penal Internacional em Haia, Holanda.

O antigo general rebelde da República Democrática do Congo, Bosco Ntaganda, terá fornecido droga e álcool a crianças-soldado antes de as enviar em ataques, declararam Quarta-feira os representantes das vítimas no Tribunal Penal Internacional (TPI). O ex-dirigente rebelde “esteve directamente implicado no recrutamento de milhares de crianças” que depois “utilizou para participar, sob a influência de substância ilícitas e de álcool” em operações que visavam “matar, violar e pilhar o inimigo”, afirmou a representante de 298 vítimas, Sarah Pellet. As declarações foram feitas na sede do TPI, em Haia, na Holanda, durante a segunda sessão da apresentação dos argumentos finais no caso de Ntaganda, iniciado há mais de três anos.

O ex-general, nascido no Ruanda mas com cidadania da República Democrática do Congo (RDCongo), é acusado de 13 crimes de guerra e de cinco crimes contra a humanidade entre 2002 e 2003 na província de Ituri, no Leste do país.Ntaganda, acusado de ordenar assassínios, pilhagens e violações pelas suas tropas, era também conhecido no seio da sua milícia por “O Exterminador”. Um advogado do ex-general rejeitou esta denominação, contrapondo que Ntaganda era como um pai para as suas tropas. De acordo com o advogado canadiano Stéphane Bourgon, a reputação sangrenta do rebelde é baseada em rumores propagados pela Internet. “A reputação de Ntaganda na Internet é falsa”, afirmou, perante os juízes, acrescentando: “ouvimos que Bosco Ntaganda foi apelidado de ‘O Exterminador’ por ser um notório assassino violento. Isso é completamente falso”, insistiu a defesa.

Mais de 15 anos depois dos actos cometidos durante um conflito em que morreram mais de 60 mil pessoas, as vítimas continuam à espera que “a justiça seja feita” face aos actos. “Está na altura de as vítimas ultrapassarem o passado e seguirem em frente na construção de um futuro”, acrescentou Pellet. Ntaganda foi um dos protagonistas na planificação das operações da União dos Patriotas Congoleses e do seu braço armado, as Forças Patrióticas pela Libertação do Congo (FPLC), apontou a acusação na Terça-feira. Perante os juízes, o antigo general, hoje com 45 anos, ter-seá apresentado como um “ser humano”, indicou Bourgon à agência France-Presse. O advogado acrescentou que está previsto que Ntaganda preste uma declaração “perto do fim das alegações finais”. Apesar das alegações finais terminarem na Quinta-feira, os juízes do TPI poderão demorar meses ou anos até alcançarem um veredicto.

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