Novos manuais da Educação em 2022

A proposta do MED prevê a contratação de editoras e a feitura de livros para cada província em função do contexto de cada uma. A associação dos professores entende que se pode cair no regionalismo, enquanto os sindicatos remeteram-se ao silêncio alegando que não foram convidados.

O Ministério da Educação (MED) lançou ontem, em Luanda, uma Proposta de Política do Livro Escolar, um documento que tem como objectivo implementar novos manuais de ensino nas escolas do ensino geral a partir do ano lectivo 2022. Segundo o director geral do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação (INIDE), Manuel Afonso, que fez a apresentação do documento, há uma divergência entre os programas de ensino e os conteúdos dos manuais e urge a necessidade de se fazer a devida harmonização. Manuel Afonso diz existir uma monopolização das editoras na produção de livros escolares e o Ministério pretende colocar fim à essa prática com a contratação de uma editora para cada província do país.

Os livros terão a vigência de cinco anos e entre várias atribuições, a editora contratada terá a responsabilidade de recrutar os profissionais que os vão elaborar, fazer a distribuição em todas as escolas e velar pela preservação dos mesmos durante o tempo de validade. Outra inovação da proposta tem a ver com a escolha de livros para cada província, tendo em conta a realidade de cada localidade, em que se destacam os elementos sócio-culturais, históricos, geográficos, ambientais e económicos, tal como consta no segundo ponto do artigo 9 da referida proposta. A proposta do MED prevê a elaboração de três tipos de livros, nomeadamente o do aluno, do professor e o de actividades, que é o campo de acção entre ambos, com o tempo de vigência de cinco anos.

Na abertura do certame, a ministra de tutela, Maria Cândida Teixeira, disse que a política do livro é um documento de natureza político-normativa, cuja implementação poderá revolucionar os aspectos fundamentais para a melhoria da qualidade do ensino. A governante realçou que o seu ministério está preocupado em alcançar melhores resultados no sector e a elaboração da política do livro é um dos passos fundamentais para atingir esta aspiração. “São os recursos didácticos que propiciam as condições de aprendizagem dos alunos e facilitam o trabalho docente”, disse a ministra, acrescentando que os resultados só serão alcançados com o envolvimento de todos.

APA apela à ponderação

O presidente da Associação dos Professores Angolanos, Inácio Gonga, mostrou-se satisfeito com a iniciativa do MED, por entender que os livros são a base de sustentação para a aprendizagem dos alunos para se alavancar a educação. Apesar de concordar com a produção de livros para cada província, Inácio Gonga apela à calma para se evitar distorções e interpretações erradas. “Os livros devem ser transversais para que não se limite a regiões e cairmos depois no regionalismo e federalismo, o que não seria bom para o nosso sistema de ensino. É necessário levar em consideração que o país é um mosaico cultural com características diferentes”, apelou.

Sindicatos “foram excluídos ”

OPAÍS contactou o presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), Guilherme Silva, e o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Professores e Trabalhadores Não Universitários (SINPTENU), Zacarias Jeremias, que se recusaram a emitir qualquer pronunciamento, alegadamente por não terem conhecimento da proposta e não terem sido convidados para o evento. Jeremias lamentou a atitude do MED, acrescentando que “os parceiros sociais não podem ser excluídos porque a educação é um problema do país”.